Política
Publicado em 04/06/2026, às 15h20 Foto: Reprodução/Vídeo Andrezza Souza
Integrantes da cúpula da Polícia Civil de São Paulo demonstraram insatisfação com declarações do prefeito Ricardo Nunes (MDB) sobre a Operação Wi-Fi, deflagrada para investigar suspeitas de irregularidades em um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e uma organização social.
A investigação apura um contrato de R$ 108 milhões celebrado entre a administração municipal e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). A operação foi realizada após requisição do Ministério Público e cumpriu mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.
Após a deflagração da operação, Ricardo Nunes questionou a motivação da investigação e afirmou que não haveria relação entre o contrato analisado e a produção do filme "Dark Horse", obra sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As declarações provocaram reação entre delegados e integrantes da Secretaria da Segurança Pública. Segundo membros da corporação ouvidos pela imprensa, a ação policial teve origem em solicitações dos Ministérios Públicos Federal e Estadual e não em motivações políticas.
De acordo com os investigadores, a Polícia Civil atuou no cumprimento de sua função institucional e dentro dos limites estabelecidos pelas decisões judiciais.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também comentou o caso e afirmou que o governo não interfere nas operações conduzidas pela Polícia Civil.
Segundo ele, as investigações são conduzidas com autonomia e a corporação atua como uma instituição de Estado, cumprindo determinações judiciais e requisições dos órgãos responsáveis.
Representantes de entidades ligadas aos delegados de polícia também saíram em defesa da corporação.
O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp), André Santos Pereira, afirmou que a atuação policial é baseada em elementos de investigação e decisões judiciais, independentemente de quem seja alvo das apurações.
Já o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) divulgou posicionamento defendendo a autonomia das polícias civis na condução de inquéritos, coleta de provas e demais procedimentos investigativos previstos em lei.
A Operação Wi-Fi cumpriu sete mandados de busca e apreensão autorizados pela 1ª Vara Regional de Garantias, dentro de inquérito conduzido pela Polícia Civil após requisição do Ministério Público de São Paulo.
Os materiais recolhidos durante a operação seguem sob análise e as investigações continuam para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao contrato firmado pela administração municipal.
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