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Desemprego recua a 5,3% e atinge menor taxa em série histórica; entenda

Segundo o IBGE, o desemprego caiu de 5,8% no trimestre encerrado em abril e ficou em linha com as projeções do mercado financeiro  |  Foto: Reprodução/Agência Brasil

Publicado em 27/08/2026, às 13h15   Foto: Reprodução/Agência Brasil   Amanda Ambrozio

A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,3% no trimestre encerrado em julho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (27).

O resultado representa uma queda em relação aos 5,8% registrados no trimestre encerrado em abril.

O índice é o menor já registrado para um trimestre terminado em julho desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), em 2012.

O resultado também ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro. A mediana das projeções de economistas consultados pela Bloomberg apontava para uma taxa de 5,3%.

Mercado de trabalho mantém força

Segundo a Folha de S. Paulo, a Pnad Contínua considera tanto trabalhadores do mercado formal, com carteira assinada ou CNPJ, quanto aqueles que atuam na informalidade.

Pelas regras das estatísticas oficiais, são consideradas desempregadas as pessoas com 14 anos ou mais que não têm trabalho e estão procurando uma ocupação. Apenas não estar trabalhando não é suficiente para entrar nessa categoria.

A taxa já havia chegado a 5,4% no trimestre encerrado em junho. O IBGE, porém, evita comparações diretas entre períodos que possuem meses repetidos, como os trimestres terminados em junho e julho.

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Juros altos podem desacelerar mercado

Apesar do desemprego permanecer em níveis historicamente baixos, análises anteriores apontaram sinais de possível desaceleração do mercado de trabalho diante do cenário de juros elevados utilizado para conter a inflação.

Outro indicador que vinha mostrando perda de ritmo era a renda, que apresentou relativa estabilidade depois de uma trajetória de crescimento.

Ao mesmo tempo, a atividade econômica permaneceu sustentada por fatores como o crescimento registrado nos últimos anos e medidas de estímulo adotadas pelo governo federal.

Essas iniciativas atuam em sentido contrário ao impacto contracionista provocado pela política de juros elevados.

Envelhecimento da população também afeta indicador

A dinâmica demográfica brasileira é outro fator que influencia a taxa de desemprego.

Com o envelhecimento da população, uma parcela maior dos brasileiros tende a deixar o mercado de trabalho e parar de procurar emprego. Como essas pessoas deixam de ser contabilizadas como desempregadas, o movimento pode contribuir para reduzir a taxa de desocupação.

Por outro lado, o processo aumenta a pressão sobre o sistema previdenciário, já que o número de pessoas que dependem de aposentadorias tende a crescer.

Trabalho por aplicativos ganha espaço

O mercado de trabalho também vem sendo influenciado pelo crescimento de ocupações relacionadas à tecnologia e aos aplicativos.

Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) estimou que o trabalho por aplicativos poderia reduzir a taxa de desemprego em cerca de 1 ponto percentual.

O avanço desse tipo de ocupação amplia as possibilidades de geração de renda, mas também reforça a importância de analisar a composição do mercado de trabalho para além do indicador de desemprego.

Com a taxa em 5,3%, o mercado de trabalho brasileiro segue apresentando um cenário de baixa desocupação, embora o ambiente de juros elevados e a estabilização da renda indiquem possíveis sinais de perda de ritmo nos próximos meses.

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