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Dino usa caso Dark Horse para reconduzir Andrei à chefia da PF; entenda

Após afastamento solicitado por André Mendonça, Flávio Dino citou risco de paralisação de diligências e procedimentos com saída dos diretores  |  Foto: Rosinei Coutinho/STF

Publicado em 09/09/2026, às 11h31   Foto: Rosinei Coutinho/STF   Amanda Ambrozio

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal (PF), dois dias após o diretor-geral da corporação ter sido afastado preventivamente por decisão do ministro André Mendonça.

A decisão de Dino foi tomada no âmbito do inquérito que investiga o financiamento do filme "Dark Horse", produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro também restabeleceu as funções de Leandro Almada, diretor de Inteligência Policial da PF, que havia sido afastado na mesma decisão de Mendonça.

Segundo Dino, a interrupção das atividades dos dois dirigentes poderia comprometer o cumprimento de diligências determinadas no inquérito sob sua relatoria.

Decisão restabelece funções até conclusão das diligências

O pedido para suspender o afastamento foi apresentado pelo próprio Andrei Rodrigues no processo relacionado ao caso "Dark Horse".

A Polícia Federal argumentou que a saída dele e de Leandro Almada poderia prejudicar o andamento das medidas investigativas determinadas pelo STF.

Ao analisar o pedido, Flávio Dino decidiu restabelecer integralmente as atribuições dos dois dirigentes até que a Polícia Federal conclua as diligências relacionadas ao inquérito.

No despacho, o ministro afirmou que a interrupção da direção de investigações policiais poderia favorecer, principalmente, pessoas investigadas.

"Esta determinação ficará vigente até o integral cumprimento, pela Polícia Federal, das medidas determinadas por esta Relatoria, em autos a mim distribuídos, sem interrupção decorrente de interferência externa", afirmou Dino.

Segundo a CNN Brasil, a decisão foi encaminhada ao plenário do STF e também ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Andressa Anholete/Agência Senado
Foto: STF/Agência Brasil/Divulgação

Andrei havia sido afastado por André Mendonça

O afastamento de Andrei Rodrigues foi determinado na terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça, que também decidiu retirar temporariamente Leandro Almada da Diretoria de Inteligência Policial.

A decisão ocorreu em meio a uma crise institucional no STF envolvendo investigações conduzidas pela Polícia Federal e suspeitas relacionadas à produção de relatórios de inteligência.

Mendonça determinou a abertura de procedimentos nas esferas penal e administrativo-disciplinar para apurar quem ordenou e produziu determinados relatórios, além de investigar a existência de outros documentos semelhantes.

O afastamento preventivo chegou a ser analisado pela Segunda Turma do STF. O colegiado formou maioria para manter a decisão, mas o julgamento foi suspenso após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Com a nova decisão de Flávio Dino, Andrei e Almada retornam às funções, ao menos no contexto das diligências relacionadas ao inquérito sob a relatoria do ministro.

Caso pode ser levado ao plenário do STF

Antes da decisão de Dino, já havia expectativa de que a disputa sobre o afastamento do diretor-geral da PF pudesse chegar ao plenário do Supremo.

A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou um recurso ao presidente do STF, Edson Fachin, contra a decisão de André Mendonça. Após receber o pedido, Fachin concedeu prazo de 72 horas para que Mendonça apresentasse esclarecimentos.

Somente depois dessa manifestação, o presidente da Corte deverá decidir quais serão os próximos passos do caso.

O episódio ampliou a tensão institucional no Supremo, especialmente diante da existência de diferentes investigações e decisões relacionadas à atuação da Polícia Federal.

Inquérito apura financiamento do filme "Dark Horse"

A decisão de Flávio Dino está ligada a uma das investigações sobre o financiamento de "Dark Horse", filme que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O caso é alvo de diferentes apurações da Polícia Federal, autorizadas por ministros distintos do STF e com objetos específicos.

No caso sob relatoria de Dino, a investigação surgiu no contexto de ações que já apuravam possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

A partir dessas apurações, surgiu a suspeita de que recursos provenientes de emendas possam ter sido utilizados para financiar a produção do filme por meio da produtora Go Up Entertainment.

Essa frente de investigação foi instaurada pela Polícia Federal em 26 de junho, com autorização judicial concedida anteriormente pelo ministro Flávio Dino.

Agora, a decisão que reconduziu Andrei Rodrigues e Leandro Almada às funções estabelece que eles poderão continuar atuando até o cumprimento integral das diligências determinadas no inquérito relacionado ao caso "Dark Horse".

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