Política
Publicado em 21/10/2026, às 12h50 Foto: Renato Pizzutto/Band TV Amanda Ambrozio
Professores, estudantes e ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) cobram a adoção de mecanismos de checagem de fatos em tempo real no debate presidencial da TV Globo, marcado para sexta-feira (23), entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A reivindicação foi formalizada em uma carta aberta que já reúne mais de 12,5 mil assinaturas. O documento será apresentado em uma leitura pública nesta quarta-feira (21), às 19h30, na sede do Departamento de Jornalismo da ECA-USP.
No documento, os signatários argumentam que os debates eleitorais deixaram de ser espaços dedicados à discussão de propostas e passaram a dar lugar a ataques pessoais, ofensas, discursos de ódio e informações falsas ou distorcidas.
Segundo a carta, esse cenário pode prejudicar a compreensão dos eleitores sobre os temas em discussão e dificultar a avaliação das propostas apresentadas pelos candidatos.
O grupo também avalia que a atuação do mediador não deve se limitar ao controle do tempo de fala dos participantes. Para os autores, é necessário estabelecer mecanismos que permitam verificar as declarações feitas durante o confronto e intervir quando houver informações incorretas.
Segundo a Folha de S. Paulo, a proposta é incorporar uma terceira figura à dinâmica do debate, responsável por acompanhar o discurso dos presidenciáveis e auxiliar na checagem dos dados apresentados ao público.
Entre as medidas sugeridas pela comunidade acadêmica está a advertência aos candidatos que apresentarem informações inverídicas durante o debate. Em caso de reincidência, os autores defendem a aplicação de uma penalidade adicional: a perda de tempo de fala.
A carta também pede que candidatos sejam advertidos e punidos caso apresentem declarações, projetos ou propostas que, na avaliação dos responsáveis pela arbitragem, violem direitos humanos previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos ou proponham medidas inconstitucionais que atinjam cláusulas pétreas da Constituição Federal de 1988.
Os signatários defendem que as novas tecnologias sejam utilizadas como aliadas no processo de verificação das informações. A intenção é tornar a checagem parte da estrutura dos debates, em vez de depender apenas de verificações realizadas após a transmissão.
A reivindicação é que as medidas sejam adotadas de forma permanente por emissoras de televisão e rádio. No caso da Globo, os autores pedem implementação imediata, considerando que a emissora será a única a realizar um debate entre os candidatos antes do segundo turno, segundo o documento.
O primeiro confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro já ocorreu no domingo (18), em debate promovido pela Band. O encontro da Globo está previsto para sexta-feira (23) e deverá ser mais uma oportunidade para os presidenciáveis apresentarem suas posições ao eleitorado.
A carta busca ampliar a discussão sobre a responsabilidade das emissoras na condução dos debates eleitorais e sobre os mecanismos necessários para reduzir a circulação de informações falsas durante as transmissões.
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