Política
Publicado em 09/09/2026, às 12h30 Foto: Ricardo Stuckert/PR Amanda Ambrozio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quarta-feira (9) a quebra completa dos sigilos das investigações relacionadas ao caso Master, em meio ao agravamento da crise institucional envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) e integrantes do governo.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que a gravidade das suspeitas exige que a sociedade tenha acesso às informações sobre todos os envolvidos.
Segundo a Folha de S. Paulo, o presidente também criticou o que chamou de “vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral” e disse que o país precisa conhecer a íntegra dos fatos.
A declaração ocorre um dia depois de uma decisão do ministro André Mendonça afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
Nesta quarta, porém, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração dos dois aos cargos, em uma decisão liminar que deverá ser analisada pelo plenário do Supremo.
Veja a publicação de Lula no X (antigo Twitter):
Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário.
— Lula (@LulaOficial) September 9, 2026
Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que…
A crise ganhou força após a divulgação de mensagens e informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.
O material trouxe à tona contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de levantar questionamentos sobre a atuação de diferentes autoridades nas investigações.
Mendonça é o relator do Caso Master no STF. Depois da divulgação das informações, Moraes apresentou acusações de possíveis irregularidades na condução das investigações e pediu que Mendonça fosse investigado.
O presidente do Supremo, Edson Fachin, interveio no conflito e determinou que Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentassem esclarecimentos sobre as acusações.
Fachin também retirou o pedido de investigação de Mendonça do chamado inquérito das fake news, em uma tentativa de evitar que o confronto entre os ministros se concentrasse em um processo relatado pelo próprio Moraes.
O episódio expôs uma divisão dentro da Corte. Ministros passaram a adotar posições diferentes sobre os métodos utilizados por Mendonça na condução do caso e sobre a validade das informações produzidas pela Polícia Federal.
Na terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada. A decisão teve como base alegações de que integrantes da PF teriam produzido relatórios de inteligência para monitorar o próprio ministro e outras autoridades.
Mendonça afirmou ter sido alvo de um monitoramento “ilegal e sistemático” e classificou o episódio como uma forma de “arapongagem institucional”.
Segundo a decisão, os relatórios teriam reunido informações sigilosas sobre investigações, reuniões de delegados com o ministro e interpretações sobre decisões tomadas por ele.
A documentação, entretanto, não aponta, segundo análise publicada pela Folha, evidências de vigilância física, interceptações telefônicas ou rastreamento de localização de Mendonça. O material reúne principalmente análises de inteligência e informações obtidas em diferentes contextos.
Mendonça também apontou problemas na utilização desses relatórios por Moraes em uma investigação contra ele.
A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter o afastamento de Andrei, com votos de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. O julgamento, contudo, foi interrompido após pedido de vista de Gilmar Mendes.
A disputa ganhou uma nova reviravolta nesta quarta-feira. O ministro Flávio Dino acolheu recurso apresentado por Andrei Rodrigues e determinou sua reintegração imediata ao cargo de diretor-geral da PF.
A decisão também reconduziu Leandro Almada à Diretoria de Inteligência da corporação.
Dino argumentou que o afastamento poderia comprometer o funcionamento da Polícia Federal e a continuidade de investigações em andamento. Entre os processos afetados está justamente o caso Master.
A decisão de Dino tem caráter liminar e deverá ser submetida ao plenário do STF.
Com isso, a disputa deixou de ser apenas um conflito entre ministros e passou a envolver diretamente o funcionamento da principal instituição policial responsável pelas investigações.
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