Política
Publicado em 22/04/2026, às 16h08 Foto: Divulgação/Governo de SP. Bianca Novais
Um ano após o início das ações de reassentamento, a Favela do Moinho, no centro de São Paulo, caminha para o encerramento de sua ocupação. Segundo informações do Governo de São Paulo, 96% das pessoas já deixaram a área, com mais de 800 famílias transferidas para novas moradias consideradas seguras e definitivas. Restam menos de 40 imóveis para concluir essa etapa do processo.
A iniciativa marca uma mudança significativa para moradores que viviam em condições precárias, em um território cercado por linhas de trem e com histórico de riscos, incluindo incêndios e problemas sanitários. O reassentamento foi apresentado como uma alternativa para garantir moradia digna e maior segurança.
O projeto foi conduzido com base em cadastramento detalhado e escuta ativa dos moradores. Entre outubro e novembro de 2024, as famílias foram registradas em um processo que orientou as etapas seguintes.
Um escritório de atendimento foi instalado nas proximidades da comunidade, concentrando mais de 10 mil atendimentos ao longo de um ano.
Antes mesmo das mudanças, cerca de 3 mil entrevistas foram realizadas. Ao todo, cada família recebeu, em média, 12 atendimentos. A proposta incluiu opções de escolha de moradia, permitindo que os beneficiados definissem localização e formato habitacional dentro dos critérios estabelecidos.
As mudanças começaram em abril de 2025 e avançaram rapidamente. Em pouco mais de duas semanas, mais de 100 famílias já haviam sido reassentadas. Dois meses depois, esse número ultrapassava 440.
Para viabilizar o processo, foram disponibilizadas aproximadamente 1,5 mil unidades habitacionais, muitas delas na região central, atendendo à preferência de moradores que desejavam permanecer na área. Também foi oferecida a possibilidade de escolha de imóveis em outros municípios do estado, com limite de valor definido.
Famílias com renda mensal de até R$ 4,7 mil receberam imóveis sem custo. Já aquelas que optaram por unidades em construção tiveram acesso a auxílio temporário, incluindo caução e subsídio mensal até a entrega das chaves.
Além das moradias, o processo incluiu indenizações a comerciantes afetados. Foram 72 pagamentos, sendo que parte dos beneficiados também recebeu atendimento habitacional. Atualmente, 29 famílias permanecem no local, aguardando a finalização de trâmites relacionados a compensações.
Paralelamente, as estruturas desocupadas passaram por descaracterização e demolição. Até o momento, 738 imóveis foram demolidos, como forma de evitar reocupações e garantir segurança na área.
Com o reassentamento próximo do fim, o espaço antes ocupado pela Favela do Moinho deve passar por requalificação urbana. O plano prevê a criação de um parque público e a construção de uma nova estação de trem, integrando ações voltadas à revitalização do centro da cidade.