Política

Ferroviários aprovam greve por tempo indeterminado e linhas da CPTM podem ser afetadas em SP

Paralisação foi aprovada em assembleia e deve atingir as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade após impasse nas negociações com o governo estadual  |  Foto: Pexels/Lucas Ferreira da Silva

Publicado em 03/08/2026, às 22h20   Foto: Pexels/Lucas Ferreira da Silva   Andrezza Souza

Os ferroviários aprovaram, nesta segunda-feira (3), uma greve por tempo indeterminado que deve começar à meia-noite desta terça-feira (4). A paralisação foi definida em assembleia do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) e pode afetar a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

A decisão foi tomada após uma reunião entre representantes da categoria e do Governo de São Paulo terminar sem acordo. O encontro ocorreu na sede da Secretaria da Casa Civil.

Categoria cobra garantias aos trabalhadores

Entre as principais reivindicações dos ferroviários estão a reversão da concessão das linhas à concessionária Trivia Trens, a manutenção dos postos de trabalho dos empregados da CPTM e o apoio do governo estadual à aprovação do Projeto de Lei nº 730/2025, que prevê a absorção de funcionários da estatal por órgãos da administração pública em casos de concessão.

Na semana passada, a categoria já havia aprovado um indicativo de greve caso as negociações não avançassem.

Governo e CPTM criticam paralisação e anunciam plano de contingência

Em nota, a CPTM e o Governo do Estado de São Paulo lamentaram a decisão do sindicato de manter a paralisação, afirmando que, durante a reunião desta segunda-feira, foram apresentados compromissos relacionados à preservação dos empregos e à análise de pautas defendidas pela categoria, como a absorção de trabalhadores por outros órgãos estaduais, a discussão sobre a incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM e a inclusão dos ferroviários no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe).

Segundo o governo, a greve prejudicará milhares de passageiros que utilizam diariamente o sistema ferroviário e não contribui para o avanço das negociações.

A CPTM informou ainda que recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento da decisão, o sindicato poderá ser multado em R$ 400 mil por dia.

A companhia também informou que as linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa operarão normalmente, assim como todo o sistema metroviário, incluindo as linhas administradas pelo Metrô e pelas concessionárias. Para as demais linhas da CPTM, foi acionado um plano de contingência para reduzir os impactos aos passageiros.

Linhas enfrentaram falhas após início da concessão

Foto: Pexels/Tiago Bellato

A mobilização ocorre poucos dias após problemas registrados nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que passaram a ser operadas pela Trivia Trens.

Conforme noticiado anteriormente pelo Metrópoles, a operação das três linhas foi interrompida na madrugada de 23 de julho após uma ocorrência envolvendo um incêndio em um trem. Passageiros precisaram desembarcar e caminhar pelos trilhos na região da Estação Tatuapé.

Desde o início da operação da concessionária, também foram registrados episódios de atrasos, superlotação e redução da circulação de trens. Diante da sequência de falhas, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM retomasse, por até 90 dias, a operação das linhas em conjunto com a concessionária.

Em nota, na ocasião, a Trivia Trens pediu desculpas pelos transtornos causados aos passageiros e afirmou que apuraria as causas técnicas das ocorrências, reiterando o compromisso com a melhoria da operação.

Até a publicação desta reportagem, não havia informações sobre uma nova rodada de negociações entre o governo estadual e os representantes da categoria.

Classificação Indicativa: Livre


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