Política
Publicado em 05/11/2026, às 13h40 - Atualizado às 13h46 Foto: Reprodução/iFood e Keeta Marina do Val
O iFood acionou a Justiça e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) acusando a Keeta, aplicativo de delivery pertencente à gigante chinesa Meituan, de praticar preços predatórios e concorrência desleal por meio de subsídios milionários em cupons e descontos.
Em resposta às investidas judiciais e regulatórias do líder de mercado, representantes da Keeta classificaram a ofensiva do iFood como um "ataque deliberado" para conter a entrada de uma concorrente global no país.
Na denúncia encaminhada às autoridades, o iFood sustenta que a Keeta tem queimado capital de forma desmedida ao oferecer cupons expressivos, com ofertas de abatimento que chegam a R$250 por pedido, além de descontos agressivos de até 80% no valor total das refeições.
A plataforma aponta ainda a existência de subsídios duplos, mediante o repasse de altos pagamentos a entregadores parceiros simultaneamente à redução forçada dos custos para os restaurantes.
Segundo o braço jurídico do iFood para o UOL, a estratégia da empresa chinesa descumpre a concorrência por mérito e busca consolidar fatia de mercado (market share) por meio da força financeira de sua matriz no exterior. Por conta disso, a empresa pede a interrupção imediata dos subsídios e da precificação dos serviços abaixo do custo.
Do outro lado, a Keeta rebate as acusações e argumenta que suas promoções fazem parte do plano natural de penetração de mercado e atração de novos usuários.
A companhia afirma que a ofensiva do iFood é uma tentativa de erguer barreiras à livre concorrência, privando os consumidores brasileiros de preços mais acessíveis e de opções variadas no segmento de food delivery.
Além da disputa por cupons de desconto, o setor de entregas tem enfrentado uma série de questionamentos legais recentes, incluindo ações sobre contratação promovidas por entidades do setor de restaurantes (como a ANR) que questionam o modelo de compra intermediada em estabelecimentos sem contrato direto.
Soma-se a isso o histórico de disputas anteriores, nas quais as empresas já haviam travado conflitos sobre alegadas abordagens indevidas de dados operacionais e espionagem corporativa no início das operações regionais da rival chinesa.
O processo no CADE e os desdobramentos na Justiça comum continuam sob análise, podendo definir novos limites para a concessão de subsídios e cupons de desconto no e-commerce e delivery brasileiro.
Falsos entregadores usam disfarce do iFood para cometer assaltos em SP
"Breque dos apps": entregadores de 99 e iFood entram em greve em SP