Política
Publicado em 13/03/2026, às 06h30 - Atualizado às 06h31 Foto: Tony Winston/Ministério da Saúde Érica Sena e Marcela Guimarães
O Sistema Único de Saúde (SUS) vem passando por atualizações importantes em seu programa de vacinação nos últimos anos.
A incorporação de novos imunizantes e mudanças nas estratégias de aplicação têm aumentado a cobertura contra doenças infecciosas e reforçado a prevenção em diferentes faixas etárias da população.
Algumas das principais novidades incluem a inclusão da vacina contra a dengue, a ampliação do uso da vacina meningocócica ACWY para crianças e alterações no esquema de vacinação contra o HPV.
Essas mudanças fazem parte de uma estratégia nacional para ampliar a proteção coletiva e reduzir internações e mortes por doenças preveníveis.
O Programa Nacional de Imunizações (PNI), coordenado pelo Ministério da Saúde, é considerado um dos maiores do mundo e atualmente oferece dezenas de vacinas gratuitas em postos de saúde em todo o país.
Segundo o Ministério da Saúde, o calendário vacinal brasileiro contempla imunizações desde o nascimento até a terceira idade, com aplicação em unidades básicas de saúde e campanhas periódicas de vacinação.
O objetivo é garantir proteção contra doenças como sarampo, poliomielite, meningite, hepatite e influenza, entre outras.
Uma das mudanças mais relevantes dos últimos tempos é a introdução da vacina contra a dengue no sistema público.
O imunizante passou a fazer parte do Programa Nacional de Imunizações inicialmente para públicos prioritários, principalmente crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que apresenta alto número de hospitalizações pela doença.
A vacina utilizada é a Qdenga, que protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.
O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações. Estudos indicam que a imunização reduz significativamente o risco de formas graves da doença e de hospitalizações.
Além disso, o governo federal também firmou parceria com o Instituto Butantan para produzir uma vacina nacional contra a dengue.
O primeiro lote adquirido prevê cerca de 3,9 milhões de doses, com investimento inicial de aproximadamente R$ 368 milhões, e a expectativa é ampliar o acesso da população a partir de 2026.
Para epidemiologistas, a inclusão do imunizante representa um avanço importante no enfrentamento da doença, que tem registrado ciclos de epidemia no Brasil.
A dengue é considerada uma das principais arboviroses do mundo e pode causar complicações graves, incluindo hemorragias e choque.
Outra atualização recente envolve a vacina meningocócica ACWY. Antes aplicada apenas em adolescentes, ela passou a ser utilizada também como dose de reforço para crianças de 12 meses.
A mudança amplia a proteção contra quatro sorogrupos da bactéria responsável por meningites bacterianas graves: A, C, W e Y.
Até então, o calendário incluía duas doses da vacina meningocócica C na infância e um reforço no primeiro ano de vida. Com a atualização, o reforço passa a ser feito com o imunizante ACWY.
De acordo com o Ministério da Saúde, a alteração tem como objetivo elevar a cobertura contra formas mais graves da doença, que podem evoluir rapidamente e levar a complicações neurológicas ou à morte.
A meningite bacteriana é considerada uma emergência médica e pode ser transmitida por gotículas respiratórias. Crianças pequenas estão entre os grupos mais vulneráveis, o que reforça a importância da imunização precoce.
Outra atualização importante no calendário vacinal envolve a vacina contra o HPV, vírus associado a diferentes tipos de câncer, principalmente o câncer de colo do útero.
Em 2024, o Ministério da Saúde alterou o esquema de vacinação no SUS para dose única, substituindo o modelo anterior que previa duas aplicações.
A medida foi adotada com base em evidências científicas que indicam eficácia semelhante na proteção contra o vírus.
A vacina é indicada para adolescentes entre 9 e 14 anos, tanto meninas quanto meninos. O HPV está relacionado não apenas ao câncer cervical, mas também a tumores de garganta, pênis, ânus e outras regiões do corpo.
A simplificação do esquema vacinal deve aumentar a cobertura, já que reduz o risco de abandono do calendário de vacinação.
A quantidade de vacinas disponíveis no SUS tem impacto direto na prevenção de doenças e na redução da pressão sobre o sistema de saúde.
Estudos epidemiológicos mostram que programas de vacinação em larga escala são responsáveis pela queda significativa de casos de doenças infecciosas nas últimas décadas.
O Brasil mantém um dos programas públicos de imunização mais abrangentes do mundo, oferecendo vacinas gratuitamente em milhares de postos de saúde. Atualmente, o calendário inclui imunizantes contra mais de 20 doenças, como tuberculose, hepatite B, poliomielite, sarampo e influenza.
Especialistas alertam, no entanto, que a efetividade dessas políticas depende da adesão da população. Nos últimos anos, o país registrou queda nas taxas de cobertura vacinal, fenômeno associado à desinformação e ao impacto da pandemia de Covid-19.
Para infectologistas e profissionais da rede pública, ampliar o acesso às vacinas e fortalecer campanhas de conscientização são estratégias essenciais para evitar o retorno de doenças já controladas no país.
Apesar dos avanços, a incorporação de novas vacinas exige planejamento logístico, financiamento e campanhas de informação para a população.
A distribuição das doses, a capacitação de profissionais de saúde e a cobertura vacinal são desafios constantes para o sistema público.
Mesmo assim, a estratégia demonstra a capacidade do SUS de atualizar suas estratégias de prevenção diante de novos desafios epidemiológicos.
Conheça 7 vacinas contra o câncer que estão sendo desenvolvidas
Câncer: vacina de RNA dá novo passo para imunização ampla e eficaz