Política
Publicado em 18/06/2026, às 14h30 Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Marcela Guimarães
As baixas temperaturas previstas para as próximas semanas em São Paulo voltaram a expor uma realidade que, para milhares de pessoas, não depende da estação do ano para ser difícil.
Parte da população consegue buscar proteção dentro de casa, mas homens, mulheres, idosos e famílias inteiras enfrentam o frio intenso sem abrigo adequado, tornando ainda mais clara a vulnerabilidade de quem vive nas ruas da maior cidade da América Latina.
Apesar disso, órgãos e entidades que atuam diretamente com pessoas em situação de rua destacam que o acolhimento emergencial é apenas uma parte da solução.
Para organizações que acompanham diariamente a realidade das ruas, a chegada do inverno apenas torna mais visível um problema que existe e persiste durante todo o ano.
A ONG SP Invisível, referência estadual (e nacional) na defesa da população em situação de rua, atua registrando histórias de vida. A instituição promove ações de apoio dedicadas a pessoas em extrema vulnerabilidade social.
Com mais de 574 mil seguidores nas redes sociais, a organização surgiu em 2014 e já ajudou mais de 242,5 mil pessoas, buscando combater a invisibilidade social enfrentada por quem vive nas ruas e chamando atenção para a necessidade de políticas públicas funcionais.
Segundo a entidade, a população em situação de rua é formada por perfis diversos. Há jovens que fugiram de ambientes familiares violentos, idosos que perderam a moradia após dificuldades financeiras, além de pessoas que convivem com transtornos mentais, dependência química ou quebra de vínculos familiares.
Essa mesma diversidade, enfim, ajuda a explicar por que não existe uma única resposta para o problema.
Os fatores que mais contribuem para o crescimento da população de rua incluem a pobreza extrema, o déficit habitacional, a falta de acesso a oportunidades de trabalho e a fragilidade das redes de apoio social.
Entidades que atuam no setor defendem que medidas emergenciais, apesar de fundamentais durante períodos de frio intenso, precisam ser acompanhadas por políticas permanentes de habitação, saúde mental, tratamento para dependência química, capacitação profissional e reinserção no mercado de trabalho.
Sem essas ações, muitas pessoas continuam presas a um ciclo de vulnerabilidade difícil de romper.
Visando a previsão de queda dos termômetros, o Governo de São Paulo ativou o Abrigo Solidário, uma operação emergencial que funciona na Estação Pedro II, da Linha 3-Vermelha do Metrô.
No local, são oferecidos colchões, cobertores, alimentação e acolhimento humanizado para pessoas em situação de rua. A estrutura também recebe animais de estimação, permitindo que os acolhidos permaneçam acompanhados de seus melhores amigos durante a permanência no abrigo.
A ação é coordenada pela Defesa Civil do Estado e conta com apoio do Fundo Social de São Paulo, do Metrô, da Secretaria dos Transportes Metropolitanos e da Secretaria de Desenvolvimento Social.
Para melhorar o atendimento, o Fundo Social disponibilizou 400 cobertores, caixas com roupas masculinas, femininas e infantis, calçados e 25 kg de ração para cães e gatos.
A iniciativa faz parte do conjunto de medidas adotadas pelo estado para diminuir os impactos das baixas temperaturas sobre a população mais vulnerável.
Paralelamente ao atendimento emergencial, o Fundo Social mantém ativa a Campanha do Agasalho 2026.
Desde o lançamento, em abril, a iniciativa arrecadou R$ 1,5 milhão para a compra de cobertores, além de milhares de peças de vestuário destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade.
As doações podem ser feitas em mais de 900 pontos de coleta espalhados pelo estado, incluindo unidades do Poupatempo, estações do Metrô e da CPTM, além do Centro de Distribuição do Fundo Social, no Jaguaré.
Podem ser doados cobertores, roupas de inverno, meias, toucas, cachecóis e calçados em bom estado de conservação.
Para a SP Invisível, o principal desafio continua sendo enxergar a população de rua para além dos números.
Buscamos promover a empatia e a ação comunitária, lembrando a todos que, por trás de cada rosto, há uma vida que merece respeito e dignidade”, diz a organização.
Por trás de cada pessoa exposta ao frio existe uma trajetória marcada por perdas, dificuldades e, muitas vezes, pela falta de oportunidades na capital mais movimentada do Brasil.
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