Política
Publicado em 06/07/2026, às 09h11 - Atualizado às 09h58 Foto: Reprodução/Redes Sociais Tatiana Ribeiro
Depois de organizar o próprio velório em vida após diagnóstico terminal, Tiago Martins Pitthan morreu aos 49 anos. Mesmo internado neste domingo (5), ele gravou uma última mensagem que deixou milhares de pessoas emocionadas.
No hospital, ele divulgou a despedida nas redes sociais. “Estou bem, em paz, feliz. Valeu a pena. Tudo valeu a pena. Tive uma vida boa e é isso. Eu venci. Um beijo do Bom Sujeito”, disse.
Diagnosticado com um câncer de estômago em estágio avançado, ele transformou o que costuma ser um momento de ausência em presença.
No dia 30 de maio, ele reuniu amigos, familiares e até desconhecidos em uma festa para comemorar a própria história, transformando um momento de luto em uma celebração da vida.
O antigo galpão de uma cervejaria em Campo Grande recebeu bandas, amigos, rodas de conversa e uma programação pensada por ele em detalhes. Teve bossa nova, samba, rock, flash mob e um aquarelista pintando a festa em tempo real —um quadro que Tiago fazia questão de guardar.
A doença foi descoberta em março de 2024, após meses de sintomas.
No Réveillon anterior, durante uma viagem a Bonito (MS), percebeu que não conseguia mais comer normalmente: sentia o estômago cheio logo na primeira garfada e vomitava.
Os exames de endoscopia confirmaram o diagnóstico de adenocarcinoma gástrico, o tipo mais frequente de câncer de estômago.
Inicialmente, a equipe médica planejou a retirada do órgão por meio de cirurgia. No entanto, durante o procedimento, foram identificadas metástases no intestino e no peritônio, além de indícios de comprometimento pulmonar.
Com a descoberta da disseminação da doença, a cirurgia com intenção curativa foi descartada.
"Eu descobri que não tinha cura. Que teria de viver com aquilo; provavelmente, morrer daquilo", relatou Tiago.
Mesmo após o diagnóstico, Tiago procurou preservar a rotina pelo maior tempo possível. Continuou trabalhando, treinando e mantendo suas atividades diárias enquanto fazia o tratamento.
Com o avanço do câncer, porém, perdeu peso, ficou mais debilitado e passou a enfrentar as limitações provocadas tanto pela doença quanto pelos efeitos da quimioterapia.
Em seus relatos, Tiago dizia não temer a morte em si. O que o preocupava era o processo até ela: a possibilidade de sentir dor, de ficar restrito a uma cama e de perder a capacidade de realizar as coisas que ainda desejava fazer.
Anvisa aprova novo tratamento oral para pacientes com câncer de mama avançado
Presunto é tão cancerígeno quanto cigarro? A ciência explica os riscos