Política
Publicado em 20/08/2026, às 17h00 Foto: Reprodução Amanda Ambrozio
O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) se reuniu com cerca de 20 entregadores e motoboys na manhã desta quarta-feira (20), na região da Consolação, no centro de São Paulo.
De acordo com o UOL, a agenda foi marcada por um princípio de tumulto depois que um entregador acusou participantes do encontro de terem recebido R$ 200 para comparecer ao evento.
Durante a conversa, um homem se aproximou do grupo e chamou os participantes de “falsos entregadores”. Enquanto gravava a abordagem, afirmou que os trabalhadores estariam recebendo R$ 200 para participar do encontro e “mostrar a cara”.
A acusação provocou uma discussão. Quatro entregadores foram em direção ao homem e um deles chegou a empurrá-lo. Outros participantes afirmaram que resolveriam a situação posteriormente.
Seguranças que acompanhavam Zema intervieram e retiraram o entregador do local. Ele foi levado para dentro do espaço destinado aos motoboys e continuou gritando e insultando os participantes antes de deixar o local.
Apesar da confusão, Zema permaneceu no encontro e continuou ouvindo as reivindicações dos trabalhadores. O candidato não comentou o episódio.
A assessoria de Zema negou as acusações. Em nota, foi afirmado que o homem “chegou alterado” e “tentando atrapalhar a ótima conversa” do candidato com os trabalhadores.
“Motoboys se sentiram injustiçados pelas mentiras atribuídas a eles e partiram para cima do rapaz”, afirmou a equipe.
Segundo a assessoria, a segurança agiu para evitar que a situação se agravasse.
Durante a agenda, os motoboys apresentaram demandas relacionadas às condições de trabalho, à segurança e aos valores pagos pelas plataformas.
Uma das principais reivindicações é o aumento da taxa mínima por entrega. Atualmente, segundo os trabalhadores, o valor fica em torno de R$ 7, e a categoria defende que passe para R$ 10.
Demétrius Rodrigues, de 22 anos, também reclamou dos riscos da atividade e dos custos relacionados ao aluguel de bicicletas.
Ele afirmou que empresas que oferecem o serviço cobram valores elevados pelos seguros e criticou o pagamento recebido por entrega.
Zema defendeu a criação de uma tarifa mínima para trabalhadores de aplicativos. O candidato não apresentou um valor, mas afirmou que a quantia deverá ser definida posteriormente.
“Motoboy foi chamado para fazer uma corrida, eu quero que ele receba X reais”, afirmou.
Questionado sobre quando colocaria a medida em prática caso fosse eleito, respondeu: “Imediatamente”.
O candidato também defendeu que as plataformas e os trabalhadores negociem diretamente as condições de trabalho. Segundo Zema, os entregadores relataram que nunca tiveram reuniões com representantes das empresas.
“Aplicativo tem de dar cara, tem de se montar uma mesa de negociação, representantes dos motoboys e das empresas”, declarou.
Zema também propôs que as empresas ofereçam seguros de vida e de saúde aos entregadores. Ele defendeu ainda algum modelo de formalização que garanta direitos aos trabalhadores, incluindo proteção financeira em casos de acidentes e afastamentos.
Segundo o candidato, as regras deveriam ser construídas em conjunto entre profissionais e plataformas.
Zema também criticou a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e afirmou que a legislação está “para lá de desatualizada” diante das novas formas de trabalho.
O candidato defendeu uma alternativa que permita o trabalho por hora, mas reconheceu que o modelo ainda precisaria ser estruturado e negociado entre empresas e trabalhadores.
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