Política
Publicado em 14/09/2026, às 15h57 Divulgação/ Prefeitura de São Paulo Bernardo Rego
O Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidida por Karina Gama, produtora do filme Dark Horse que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, pagou à empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda, terceirizada do ICB, R$ 3 milhões a fim de que a empresa fornecesse internet gratuita na periferia da capital paulista no âmbito do programa WiFi Livre SP.
Mas, de acordo com o colunista Demétrio Vecchioli, do portal Metrópoles, empresas ligadas a evangélicos também receberam R$ 1,8 milhão sem nota fiscal.
A Favela Conectada tinha como um dos sócios, à época, Alex Leandro Bispo dos Santos, investigado por feminicídio pela suspeita de espancar a esposa momentos antes de ela cair do 10º de um prédio e morrer, além de ser suspeito de integrar o PCC. Ele está foragido.
Notas fiscais que constam na investigação sobre contratos do programa WiFi Livre SP evidenciam as transferências do ICB para a Favela Conectada por prestação de serviços, em junho e julho de 2025, dentro do projeto de internet gratuita da Prefeitura de São Paulo. Foram emitidas notas de R$ 500 mil, em 24 de junho; R$ 500 mil, em 4 de julho; e R$ 2 milhões, em 7 de julho de 2025.
Ainda conforme o colunista, contrato que não tinha reconhecimento da assinatura, previa a manutenção de 2.000 pontos de internet, com pagamento de R$ 512,93/mês por cada ponto.
Documentos apreendidos pela Polícia Civil em junho apontam que Favela Conectada não executava o serviço, subcontratando servidores de internet a um custo médio entre R$ 100 e R$ 150 por ponto de internet – ou seja, a prefeitura pagava uma mensalidade de R$ 1.800 por ponto ao ICB, que pagava R$ 512 à Favela Conectada, que pagava até R$ 150 ao servidor.
A Favela Conectada recebeu uma transferência de R$ 2 milhões do ICB em 7 de julho e transferiu R$ 60 mil para a empresa “Audaxia Serviços de Pagamento”. Minutos depois mais R$ 250 mil e na sequência R$ 500 mil para a “BCS Intermediações LTDA”.
As duas empresas – Audaxia e BCS – pertencem ao mesmo grupo econômico, de Palmas (TO). Hoje chamada Soberano Sociedade de Crédito, a BCS tem três sócios – João Paulo Morais Ferreira, José André da Costa e Marcos Halley Gomes da Silva. Já a Audaxia pertence a José André e à BRS Holding, que tem como representante legal Marcos Halley.
João Paulo foi presidente da organização religiosa Família do Amor Church, de Valparaíso/GO. Já José André e presidente da Igreja Aliança Evangélica PMW, de Palmas.
A defesa de Karina Gama enviou nota de esclarecimento. Confira na íntegra:
A defesa da Sra. Karina Gama recebe com absoluto respeito e considera positiva a decisão do Ministro Flávio Dino de levantar o sigilo sobre os elementos da investigação conduzida pela Polícia Civil do Estado de São Paulo envolvendo o Instituto Conhecer Brasil e contrato celebrado com a Prefeitura de São Paulo.
A transparência interessa à Justiça, à sociedade e, sobretudo, à própria defesa. Quem já apresentou voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentação não teme transparência. Desde o primeiro momento, a Sra. Karina Gama tem sustentado, de maneira firme e inequívoca, que não praticou qualquer ilícito.
A publicidade dos elementos da investigação permitirá que os fatos sejam conhecidos em sua integralidade e examinados objetivamente, para além de especulações ou juízos antecipados. A defesa confia que a plena exposição dos fatos demonstrará que a Sra. Karina Gama não pode ser transformada em culpada pela intensa efervescência da vida nacional, em um momento de extraordinária agitação e movimentação política.
Investigar é legítimo. Esclarecer é do interesse de todos. Mas investigação não é acusação, muito menos, condenação e a repercussão política jamais poderá substituir o devido processo legal. Por essa razão, a defesa nada tem a opor quanto à transparência e ao levantamento do sigilo.
Ao contrário, deseja que o Brasil tenha acesso à realidade integral dos acontecimentos e que cada documento, contrato, pagamento e circunstância seja examinado tecnicamente, dentro da legalidade e sem contaminação por disputas políticas ou narrativas previamente construídas.
A Sra. Karina Gama continuará colaborando com as autoridades competentes e exercendo, com serenidade, seu direito constitucional de defesa, convicta de que a verdade dos fatos prevalecerá.
A Constituição protege a investigação, mas também protege o investigado. E é justamente nos casos de maior repercussão pública que essa garantia precisa ser mais rigorosamente observada.
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