Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 14/09/2026, às 15h00
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo do processo que reúne informações sobre a rede de pagamentos do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
A decisão atende a um pedido feito pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
A documentação reúne informações obtidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) durante as investigações envolvendo Vorcaro e o Banco Master.
Entre os dados revelados estão pagamentos que somam mais de R$ 57 milhões para a Igreja Batista da Lagoinha, além de uma transferência de R$ 22 mil para um homem apontado pelas autoridades como integrante do círculo de confiança do empresário.
O processo é formado por três documentos principais. O primeiro é uma petição apresentada pela Polícia Federal, que solicitou ao Coaf Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) de pessoas investigadas no caso Master.
Segundo a PF, o Coaf atendeu apenas parcialmente ao pedido porque identificou, nos documentos, movimentações envolvendo pessoas que poderiam ter foro por prerrogativa de função.
Por esse motivo, o conselho informou que precisava de autorização expressa do STF para fornecer os dados referentes a esses pagamentos.
A PF então pediu ao ministro André Mendonça autorização para ter acesso às informações. Segundo a documentação que agora se tornou pública, não há registro de uma decisão do ministro autorizando expressamente o compartilhamento desses dados.
Na sequência, aparece no processo o relatório produzido pelo Coaf e encaminhado à Polícia Federal.
Entre as movimentações financeiras destacadas no relatório estão pagamentos que ultrapassam R$ 57 milhões destinados à Igreja Batista da Lagoinha entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.
Segundo a CNN Brasil, a instituição já foi alvo de apurações relacionadas à CPMI do INSS e a suspeitas envolvendo desvio de emendas parlamentares.
O vínculo com Vorcaro também chama atenção porque seu cunhado, Fabiano Zettel, atuava como pastor da instituição.
A documentação divulgada com a derrubada do sigilo permite agora que os pagamentos sejam analisados dentro do contexto mais amplo das relações financeiras investigadas no caso Banco Master.
Outro pagamento destacado no relatório do Coaf envolve Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário". Segundo as autoridades, ele integrava o círculo de pessoas que atuavam diretamente para Vorcaro.
De acordo com as informações da investigação, Mourão seria responsável por atividades como monitoramento, coação, retirada de conteúdos da internet e ataques hackers, além de articulações com criminosos que seriam realizadas a mando do empresário.
O relatório aponta que ele recebeu R$ 22 mil no período analisado.
As informações fazem parte do material reunido durante as investigações e ainda deverão ser avaliadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.
A decisão de tornar o processo público ocorre às vésperas de uma sessão do STF marcada para esta terça-feira (15).
O julgamento deverá analisar a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes em razão de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro.
Segundo Moraes, a divulgação das peças relacionadas aos pagamentos seria necessária para permitir que os ministros tenham acesso aos elementos que podem embasar seus votos.
O próprio ministro havia pedido, no domingo (13), a retirada do sigilo de documentos relacionados ao caso Banco Master.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou nesta segunda-feira e foi favorável à publicidade do processo.
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