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Vírus Nipah pode chegar ao Brasil? Especialistas da saúde explicam

Após anos sem registros, o vírus Nipah volta a ser detectado em Bengala Ocidental, gerando preocupações entre autoridades de saúde.  |  Foto: Reprodução/Freepik

Publicado em 29/01/2026, às 08h33   Foto: Reprodução/Freepik   Fernanda Montanha

Após quase duas décadas sem registros na região, o vírus Nipah voltou a acender o sinal de alerta em Bengala Ocidental, no leste da Índia.

Nas últimas semanas, dois profissionais de saúde testaram positivo em Calcutá, capital do estado, fato que reacendeu preocupações sanitárias dentro e fora do país.

O retorno do patógeno fora de sua área mais comum chamou a atenção de autoridades internacionais, especialmente por se tratar de uma infecção altamente letal.

Embora a Índia registre surtos de Nipah desde 2001, a última ocorrência em Bengala Ocidental havia sido em 2007. Desde então, quase todos os casos se concentraram no estado de Kerala, no sul do país, com episódios recorrentes entre 2018 e 2025.

Esse deslocamento geográfico levantou dúvidas sobre possíveis mudanças no padrão de circulação do vírus, segundo a Veja Saúde.

O que é o vírus Nipah e por que preocupa

O Nipah é um vírus transmitido de animais para humanos, tendo como principal reservatório os morcegos do gênero Pteropus, conhecidos como morcegos da fruta. Em algumas situações, outros animais, como porcos, também podem atuar como intermediários na transmissão.

Nos seres humanos, a infecção pode variar de quadros leves e assintomáticos a doenças respiratórias severas e encefalite, condição que inflama o cérebro e pode ser fatal. A taxa de letalidade elevada, que pode chegar a 75%, coloca o Nipah entre os vírus mais perigosos monitorados pela OMS.

Outro fator que amplia a preocupação é a ausência de vacinas ou tratamentos específicos. Atualmente, o cuidado com os pacientes é feito apenas com medidas de suporte, o que limita as opções em casos mais graves.

Mudança de padrão e risco de disseminação

Especialistas apontam que o reaparecimento em uma região sem casos recentes pode estar ligado a eventos ambientais específicos. Segundo virologistas, alterações no ecossistema, maior contato entre humanos e animais silvestres ou falhas de vigilância podem favorecer episódios pontuais de transmissão.

Apesar do alerta, não há indícios de que o vírus esteja se espalhando de forma sustentada. Os dados disponíveis sugerem surtos isolados, associados a condições muito específicas, e não uma expansão contínua como ocorre com vírus altamente contagiosos.

Foto: Reprodução/Freepik

O vírus pode chegar ao Brasil?

A possibilidade de o Nipah atingir o Brasil é considerada baixa, mas não inexistente. O principal risco seria a entrada por meio de viajantes infectados, já que a transmissão entre pessoas pode ocorrer, inclusive em ambientes de saúde.

Por outro lado, o cenário brasileiro é diferente do indiano. Os morcegos Pteropus não existem nas Américas, o que reduz significativamente a chance de circulação natural do vírus. Até o momento, não há registros de casos ou de circulação do Nipah no território nacional, segundo autoridades sanitárias.

O que dizem os especialistas e o Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde informou que o risco de uma pandemia causada pelo Nipah é considerado baixo. A pasta reforça que países onde o vírus circula mantêm protocolos de emergência e que o Brasil possui planos de vigilância para agentes altamente patogênicos, em parceria com instituições como Fiocruz e Instituto Evandro Chagas.

Pesquisadores destacam que, embora o risco atual seja limitado, o monitoramento constante é essencial. A vigilância contínua permite respostas rápidas e evita que surtos localizados se transformem em crises maiores.

Pandemia é um cenário possível?

No curto prazo, especialistas descartam a possibilidade de uma pandemia. A transmissão entre humanos é restrita, os surtos tendem a ser controlados e não há sinais de mutações que aumentem a capacidade de disseminação do vírus.

Ainda assim, o consenso é de cautela. O Nipah segue como uma ameaça potencial que exige atenção permanente. Preparação, vigilância qualificada e resposta rápida continuam sendo as principais armas contra o vírus, sem necessidade de pânico, mas com responsabilidade e acompanhamento científico constante.

Classificação Indicativa: Livre


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