Astrônomos identificaram pela primeira vez um objeto cósmico que desafia a definição clássica de galáxia. Batizada de Cloud-9, a estrutura reúne quase todos os elementos esperados nesse tipo de formação, como grandes quantidades de gás e um halo de matéria escura, mas não possui estrelas.
A descoberta foi descrita em artigo publicado na revista científica The Astrophysical Journal Letters e pode ajudar a desvendar mistérios fundamentais sobre a formação do Universo, como citado pelo site Super Interessante.
Localizada a cerca de 14 milhões de anos-luz da Terra, nas proximidades da galáxia espiral Messier 94, a Cloud-9 é o primeiro exemplo confirmado de um objeto conhecido como RELHIC (sigla em inglês para Reionization-Limited HI Cloud), uma nuvem de hidrogênio neutro cuja evolução foi interrompida nos primórdios do cosmos.
Uma galáxia que nunca nasceu
Foto: Divulgação
De acordo com o modelo padrão da cosmologia, a matéria escura, forma grandes estruturas chamadas halos. Esses halos atraem gás, principalmente hidrogênio, que pode esfriar e colapsar, dando origem a estrelas.
No entanto, a teoria prevê que halos menores também existam. Eles conseguem acumular gás, mas não têm massa suficiente para iniciar o processo de formação estelar. O resultado são estruturas dominadas pela matéria escura e praticamente invisíveis no espectro óptico, exatamente o caso da Cloud-9.
Hidrogênio, matéria escura e silêncio estelar
A Cloud-9 contém cerca de um milhão de vezes a massa do Sol em hidrogênio gasoso, concentrado em um núcleo com aproximadamente 4.900 anos-luz de diâmetro. Para manter esse gás estável, os cientistas calcularam que o objeto precisa estar envolto por um halo de matéria escura com cerca de cinco bilhões de massas solares.
Essa combinação confirma previsões feitas há décadas apenas por simulações computacionais, reforçando o papel da matéria escura como “andaime gravitacional” do Universo.
A descoberta pelo rádio
A identificação da Cloud-9 foi possível graças a observações feitas em 2023 com o Telescópio Esférico de Abertura de Quinhentos Metros, na China. Como o hidrogênio neutro emite ondas de rádio em um comprimento específico, os astrônomos conseguiram detectar a nuvem mesmo sem a presença de estrelas.
Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa
Política de Privacidade e, ao continuar navegando,
você concorda com essas condições.