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O que começou como orientação parental terminou em um dos casos mais perturbadores envolvendo influência digital nos Estados Unidos. O documentário "Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt", sucesso no Top 10 global da Netflix, reconstrói a ascensão e a queda de uma figura que usou autoridade online para exercer controle psicológico e promover abusos graves.
A produção, segundo o site Omelete, investiga como discursos de disciplina e moralidade foram usados para legitimar práticas extremas dentro de um círculo familiar acompanhado por milhões de pessoas nas redes.
Jodi Hildebrandt se apresentou ao público como terapeuta e conselheira familiar especializada em comportamento e relações parentais. Criadora do método "ConneXions", ela conquistou seguidores principalmente em comunidades religiosas mórmons no estado de Utah, nos Estados Unidos.
O documentário mostra como sua influência ultrapassou os limites da terapia tradicional e se transformou em um rígido sistema de controle, baseado em isolamento, punições severas e restrições emocionais, sobretudo contra crianças.
O alcance de Jodi cresce ainda mais quando ela se associa a Ruby Franke, youtuber responsável pelo canal "8 Passengers", que por anos exibiu a rotina de sua família na internet. Inicialmente em busca de ajuda para conflitos domésticos, Ruby passa a adotar integralmente os métodos defendidos por Hildebrandt.
Aos poucos, o aconselhamento se transforma em obediência absoluta, justificada como correção moral e espiritual, criando um ambiente propício para abusos.
A narrativa chega ao ponto de ruptura em agosto de 2023. Um dos filhos de Ruby consegue fugir da casa de Jodi e pedir ajuda a um vizinho. A intervenção policial revela um cenário de negligência extrema e maus-tratos, resultando na prisão imediata das duas mulheres.
O documentário opta por um desfecho direto, focado nas consequências legais e no impacto profundo deixado nas vítimas.
Jodi Hildebrandt foi condenada por múltiplas acusações de abuso infantil agravado e cumpre pena no estado de Utah, com possibilidade de passar décadas na prisão. Ruby Franke também se declarou culpada, recebeu pena semelhante e perdeu completamente sua presença pública. Seus filhos foram afastados da guarda materna e colocados sob proteção do Estado.
Além do documentário da Netflix, o caso ganhou um complemento em "Devil in the Family: The Fall of Ruby Franke", série lançada em fevereiro de 2025. A produção reúne entrevistas inéditas com o ex-marido de Ruby, Kevin Franke, e com os filhos mais velhos, Shari e Chad, que relatam pela primeira vez os efeitos da disciplina extrema e do controle psicológico dentro de casa.
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