Entretenimento
por Marcela Guimarães
Publicado em 28/09/2026, às 19h05
Primeiro drama jurídico original produzido pela Netflix no Brasil, “Habeas Corpus” acompanha uma advogada determinada a corrigir uma injustiça que também desperta antigos traumas.
Inez Franco (Marjorie Estiano) abandonou os tribunais depois de ser baleada durante um julgamento, mas continua empenhada em defender quem precisa.
Ao longo de oito episódios, a protagonista passa a orientar um grupo de estudantes de Direito que decide investigar o caso de Jonathan (Hypólito), jovem que afirma ter sido condenado por um crime que não cometeu.
A principal resistência à revisão do processo vem da delegada Cristina “Tina” Ogino (Marisa Orth), cuja carreira ganhou força justamente após a condenação.
A investigação conduzida pelos alunos de Inez avança quando eles conseguem reunir evidências de que Jonathan foi torturado para confessar o crime.
Com o caso crescendo, o grupo recebe o apoio do escritório Borrnman, Hueda & Villar, depois que o sócio Murilo (Vladimir Brichta) decide ajudá-los.
A iniciativa acontece sem o conhecimento de Pedro (Danton Mello), que não aprova a decisão. O motivo é a relação política mantida pelo escritório com Tina, e ele teme que a atuação no caso prejudique esses vínculos.
Ao descobrir o que está acontecendo, a delegada vai até o local onde os estudantes estão e tenta intimidá-los. O encontro termina em uma discussão com Inez e em uma ameaça, aumentando ainda mais a determinação da advogada e de seus alunos.
Para se proteger de possíveis represálias, o grupo decide tornar o caso público. Durante uma coletiva de imprensa, anuncia que pretende pedir a revisão criminal da condenação de Jonathan e apresentar uma denúncia contra Tina. Dessa forma, qualquer ataque contra os envolvidos teria repercussão imediata.
Além das imagens que registram a tortura sofrida por Jonathan, a equipe também encontra outro elemento capaz de mudar os rumos do processo: o depoimento de Helinho, jovem preso pelo mesmo crime. Ele afirma que Jonathan não teve qualquer participação no delito.
Segundo a investigação, a falsa acusação partiu de Evandro, tio de Helinho, que teria aproveitado uma antiga desavença para se vingar e, ao mesmo tempo, ganhar a confiança de Tina.
A delegada, por sua vez, já sabia que o testemunho apresentado contra Jonathan era falso.
O pedido de revisão feito por Inez e pelos estudantes é aceito pelo Ministério Público, que anula a condenação de Jonathan. Um novo julgamento é marcado para uma semana depois, mas o processo ainda passa por obstáculos.
A juíza responsável pelo caso impede que Helinho preste depoimento, sob a alegação de que ele teria sido coagido pela defesa. Além disso, um laudo considerado pouco confiável aponta que as evidências de tortura apresentadas pela defesa seriam falsas.
Com a possibilidade de um confronto ainda maior no tribunal, Tina apresenta uma proposta: ela ficaria de fora da denúncia caso a defesa aceitasse uma redução na pena de Jonathan.
Inez, entretanto, não aceita a negociação. Convencida de que o jovem não deveria continuar preso por um crime que não cometeu, ela decide enfrentar os próprios traumas e retornar aos tribunais.
No julgamento, a advogada confronta diretamente Tina e afirma que a delegada construiu sua ascensão profissional a partir da condenação de um jovem preto, pobre e marginalizado, cuja versão dificilmente seria ouvida pelas autoridades.
No fim, a estratégia de Inez dá resultado. Jonathan é considerado inocente, enquanto as irregularidades cometidas por Tina são finalmente expostas publicamente.
Com a absolvição de Jonathan, a história também começa a mudar para os demais personagens.
Livre da condenação, o jovem finalmente pode tentar levar adiante seu relacionamento com Marina (Any Gabrielly), por mais que a série não mostre exatamente como os dois seguem depois disso.
Tina é afastada do cargo de delegada-geral da Polícia Civil do Estado. Flávio também passa a ser investigado por suas ligações com a delegada e pelas possíveis irregularidades relacionadas ao caso.
Inez encerra a temporada em uma posição diferente. Depois de toda a repercussão do processo, ela recebe um convite para se tornar sócia do escritório Borrnmann, Hueda, Villar & Franco, que busca reconstruir sua imagem após os acontecimentos.
Após a resolução do caso de Jonathan, Marina revela aos colegas que seu verdadeiro nome é Larissa. A jovem conta que decidiu estudar Direito com um objetivo específico: conseguir libertar sua mãe, Eliane.
O problema é que a condenação de Eliane está diretamente ligada ao passado de Inez. Quando ainda trabalhava como promotora, a protagonista foi responsável pelo caso que terminou com a prisão da mulher.
Larissa revela que foi ela quem provocou um incêndio que destruiu as terras de um deputado. Para impedir que a filha sofresse as consequências, Eliane assumiu a responsabilidade pelo crime e acabou sendo condenada injustamente.
A revelação muda completamente a perspectiva sobre a aproximação de Larissa com Inez e indica que sua relação com os colegas e com Jonathan pode se tornar ainda mais complicada.
“Habeas Corpus” termina justamente com essa revelação, deixando aberta a possibilidade de uma continuação. Caso a série ganhe novos episódios, Inez terá que voltar ao próprio passado e reexaminar um processo no qual atuou como promotora para tentar corrigir uma condenação que ajudou a construir.
Ao mesmo tempo, Larissa precisará lidar com as consequências de suas próprias escolhas.
Classificação Indicativa: Livre
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