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"Os Simpsons" sempre usaram exageros para comentar o mundo real. No episódio mais recente, a série vira essa lente para dentro e decide questionar um de seus próprios símbolos.
Duffman, mascote da cerveja Duff e presença recorrente desde os anos 1990, é colocado em xeque, não como piada pontual, mas como personagem que já não cabe no tempo atual.
Durante boa parte da série, Duffman funcionou como caricatura da publicidade escancarada: bordões fáceis, visual marcante e presença pensada para vender, de acordo com O Tempo.
No novo episódio, esse modelo passa a ser tratado como algo deslocado. O roteiro deixa claro que aquele tipo de personagem perdeu espaço, tanto dentro da narrativa quanto fora dela.
A referência a "Ruptura", série da Apple, aparece menos como paródia direta e mais como estrutura.
A criação da EOD (Enthusiasm on Demand) coloca personagens em um ambiente corporativo onde pessoas são reduzidas a funções e comportamentos programados.
É nesse cenário que Duffman deixa de existir como mascote e surge Barry Duffman, o indivíduo por trás da fantasia.
Quando Barry aparece diante da família Simpson, o tom é outro. Sem entusiasmo forçado ou figurino chamativo, ele comunica que a Corporação Duff decidiu aposentar o personagem.
A justificativa é simples e direta: antigos formatos de publicidade deixaram de fazer sentido. O que antes era reconhecível agora soa datado.
Mesmo após escapar da lógica da EOD, Barry não reassume a identidade de Duffman. O episódio faz questão de fechar essa porta.
A ausência do traje reforça que não se trata de uma pausa ou reformulação, mas de um encerramento definitivo.
Criado em 1997, na 9ª temporada, Duffman se tornou um dos coadjuvantes mais lembrados da série.
Sua aposentadoria funciona como comentário sobre o próprio tempo de "Os Simpsons" no ar, uma produção longeva o bastante para precisar encerrar ciclos que fizeram sentido em outras décadas.
Com a série renovada até a 40ª temporada, "Os Simpsons" mostram que seguir em frente também envolve cortar vínculos com o passado.
A saída de Duffman não apaga sua importância, mas marca um ajuste de rota: menos nostalgia automática, mais consciência do presente.
Classificação Indicativa: Livre