Entretenimento
por Marcela Guimarães
Publicado em 05/01/2026, às 12h20
O final de “Terra de Pecados”, disponível na Netflix, foge de qualquer ideia de justiça. Em vez de respostas simples, a minissérie prefere um encerramento marcado por culpa compartilhada e decisões perturbadas.
Durante boa parte da história, o público é conduzido a enxergar Jarven como o responsável direto pela morte de Silas.
Traficante e explorador de cidadãos vulneráveis, ele parece reunir todos os elementos do vilão clássico. Por outro lado, essa construção funciona como um caminho falso.
Jarven simboliza um mal maior e estrutural, representando o crime que nasce da desigualdade, abandono e miséria. Ainda assim, não é dele que vem o crime.
A série deixa claro que nem sempre a pior violência vem dos vilões óbvios, mas de dentro das próprias relações familiares.
A revelação do último episódio muda completamente o peso da história. Jon, primo de Silas, é quem o mata.
Pressionado por uma dívida que piorou após as atitudes de Oliver, Silas perde o controle ao confrontar Katty.
Tomada por um senso de proteção e fúria, Katty empurra Jon para a violência. Ele leva Silas até um local isolado e, após provocações e humilhações, comete o assassinato. É um acúmulo de ressentimentos e manipulações.
A partir desse ponto, Katty vira a figura mais cruel da obra por ajudar a esconder o corpo e apagar rastros e pela decisão consciente de transferir a culpa para Harald, seu próprio filho.
Pelo ponto de vista dela, Harald é fraco demais para sustentar o nome da família e, por isso, sacrificável.
Essa escolha a coloca como a verdadeira vilã de “Terra de Pecados”. Katty destrói os próprios filhos traumatizando Jon, condenando Harald à culpa e perpetuando o ciclo de violência que dizia defender.
O linchamento promovido pela família de Boel, apesar de brutal, surge como uma extensão da lógica que governa o território.
Outro ponto decisivo do fim é a morte de Elis. Doente e consciente de seu papel indireto em décadas de desigualdade que arruinaram a vida de Ivar e sua família, ele opta por um sacrifício extremo.
Ao provocar Kimmen a atirar, Elis cria uma saída para Jon e Harald escaparem de um futuro marcado por prisão e perseguição.
A decisão de Dani de não seguir a lei de forma rígida também gera algumas divisões. Ao escolher preservar o futuro dos jovens, ela age movida por culpa, principalmente em relação a Oliver, e pelo desgaste acumulado após tudo o que viveu dentro do sistema.
Oliver encontra um fechamento emocional ao se reconciliar com Dani. A cena final no apiário não dá respostas concretas, mas sugere algo raro dentro daquele universo: a possibilidade de reconstrução.
Classificação Indicativa: Livre