Entretenimento
por Marcela Guimarães
Publicado em 05/01/2026, às 15h56 - Atualizado às 15h58
A China levou à Organização das Nações Unidas (ONU) uma advertência sobre o avanço acelerado de constelações privadas de satélites de internet, apontando riscos à segurança no espaço.
O posicionamento foi apresentado durante uma reunião informal do Conselho de Segurança, convocada pela Rússia, em um contexto marcado por incidentes orbitais recentes e pelo aumento do uso desses sistemas em operações militares.
Segundo o governo chinês, o aumento no número de satélites pressiona recursos orbitais e de frequência compartilhados, elevando o risco de colisões. A apuração é do R7.
Foram citados episódios registrados em 2021, quando satélites da Starlink teriam se aproximado de forma perigosa da estação espacial chinesa Tiangong, exigindo manobras evasivas por parte da tripulação.
Também foi mencionado um evento mais recente, ocorrido em 17 de dezembro de 2025, no qual um satélite da constelação da SpaceX se desintegrou em órbita, gerando mais de cem fragmentos de detritos espaciais.
A China também alertou para o emprego crescente de satélites comerciais em atividades de reconhecimento e comunicação militar. Para o país asiático, isso pode estimular uma nova corrida armamentista.
O discurso incluiu críticas ao uso de serviços de internet via satélite sem autorização sobre territórios estrangeiros, além de acusações de que essas redes estariam sendo exploradas por grupos terroristas, forças separatistas e esquemas de fraude.
Segundo a missão chinesa, há registros desse tipo de atividade no Sul e Sudeste da Ásia, além da região do Sahel, na África.
Atualmente, a Starlink (operada pela SpaceX, de Elon Musk) mantém cerca de 10 mil satélites em órbita e planeja expandir a constelação para mais de 42 mil unidades.
Cada equipamento foi projetado para operar por aproximadamente cinco anos antes de ser destruído na atmosfera terrestre.
O bilionário já negou alegações de uso do serviço por insurgentes na Índia, enquanto a empresa afirmou ter desativado mais de 2.500 kits da Starlink ligados a centros de fraude em Mianmar.
Após as declarações chinesas, a SpaceX informou que iniciará uma reorganização de sua constelação.
Segundo Michael Nicolls, vice-presidente de engenharia da Starlink, mais de 4.400 satélites terão suas órbitas reduzidas ao longo de 2026, passando de cerca de 550 km para aproximadamente 480 km de altitude.
De acordo com ele, operar abaixo de 500 km diminui a probabilidade de colisões, já que essa faixa orbital concentra menos detritos e menos constelações planejadas.
A mudança também acelera a reentrada de satélites defeituosos e pode reduzir em mais de 80% o tempo de decaimento orbital durante o próximo mínimo solar, previsto para 2030.
A empresa informou que a manobra será coordenada com órgãos reguladores, outras operadoras e o Comando Espacial dos Estados Unidos.
Apenas no primeiro semestre de 2025, os satélites da Starlink realizaram cerca de 145 mil manobras automáticas para evitar colisões.
As críticas chinesas também fazem referência a um episódio recente citado por Nicolls, no qual um satélite da Starlink quase colidiu com um satélite chinês recém-lançado.
No encerramento de sua fala na ONU, o representante chinês fez uma referência indireta aos Estados Unidos ao afirmar que países que não regulam adequadamente suas empresas espaciais devem ser responsabilizados quando essas atividades interferem no uso pacífico do espaço.
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