Negócios
por Marcela Guimarães
Publicado em 05/01/2026, às 10h44
Elon Musk anunciou que a Neuralink pretende dar um passo decisivo no desenvolvimento de seus implantes cerebrais.
Segundo o bilionário, a empresa iniciará a produção em larga escala dos dispositivos em 2026, além de adotar um método de implantação descrito como “quase totalmente automatizado”.
A declaração foi feita na última quarta-feira (31) por meio do X (antigo Twitter), sua própria rede social.
“A Neuralink iniciará a produção em larga escala de dispositivos de interface cérebro-computador e passará a adotar um procedimento cirúrgico simplificado e quase totalmente automatizado em 2026”, disse o empresário.
Neuralink will start high-volume production of brain-computer interface devices and move to a streamlined, almost entirely automated surgical procedure in 2026.
— Elon Musk (@elonmusk) December 31, 2025
Device threads will go through the dura, without the need to remove it. This is a big deal. https://t.co/nfNmtFHKsp
De acordo com Elon Musk, uma das principais mudanças está na forma como os fios do implante serão inseridos no cérebro.
Eles atravessarão a dura-máter (camada externa e mais resistente que protege o órgão) sem que seja necessário removê-la. “Isso é muito importante”, destacou ao comentar sobre o avanço técnico.
A Neuralink começou a testar seus implantes em humanos em 2024, após obter autorização da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos responsável por liberar estudos clínicos envolvendo dispositivos médicos.
O implante é um chip do tamanho de uma moeda, inserido diretamente no cérebro. Após a implantação, o dispositivo se conecta ao sistema nervoso por meio de fios ultrafinos capazes de captar a atividade neural do usuário.
A proposta principal da tecnologia é permitir que pessoas com paralisia consigam controlar equipamentos eletrônicos apenas com o pensamento, incluindo computadores e membros robóticos.
O sistema é baseado na chamada interface cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês), que possibilita a interação com dispositivos externos por meio da atividade cerebral.
Por mais que esse tipo de tecnologia não seja uma criação exclusiva da Neuralink, a empresa de Elon Musk tem apresentado resultados.
No primeiro teste bem-sucedido, o paciente conseguiu mover um cursor na tela do computador usando apenas sinais do cérebro.
Segundo o bilionário, cerca de 10 mil pessoas já se inscreveram para participar dos testes, mas apenas 12 utilizam atualmente o dispositivo.
Apesar do potencial apresentado, o chip cerebral da Neuralink ainda desperta certa desconfiança entre especialistas.
Parte da comunidade científica levanta preocupações relacionadas à segurança do implante, às implicações éticas e à transparência dos processos adotados pela empresa, pontos que seguem em alta devido aos avanços da tecnologia.
*Com apuração do Metrópoles
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