Farinha Lima
Um carregador de malas conhecido na Faria Lima por bajular banqueiros e empresários de diversos setores foi eleito, mais uma vez, a mala do evento do ministro Gilmar Mendes. Falando cuspindo e pegando nas pessoas, ele circulava com um overtop da Colombo, cansado e surrado de guerra, pelos corredores da faculdade. Não podia ver a rodinha de conversa que lá estava o MALA para dar pitacos e se meter no papo alheio. Levou um tremendo fora de uma empresária de peso brasileira ao opinar sobre tarifação dos EUA, logo meteu o rabinho entre as pernas e foi para a porta principal esperar as entrevistas para aparecer ao fundo como papagaio de pirata. Quem trouxe mesmo?
Entre um painel sobre democracia, outro sobre inovação e mais um coquetel regado a vinho português, parte da comitiva brasileira que desembarcou em Lisboa para o badalado fórum internacional parece já ter encontrado a verdadeira integração entre os povos. Nos corredores elegantes do evento, o comentário que circula longe dos microfones é que certos “engomadinhos” ficaram mais interessados no roteiro noturno da capital portuguesa do que nos debates do auditório. Segundo línguas afiadas que conhecem bem os hábitos da turma, o after oficial tem endereço certo e não é exatamente turístico...
Em meio às críticas sobre a promiscuidade entre poder público e mercado no fórum de Lisboa, um participante resumiu sem cerimônia o espírito do evento: ali, segundo ele, acontecem em poucos dias conversas que levariam oito meses para destravar em Brasília.
O jantar promovido pelo BTG Pactual em Lisboa virou um dos assuntos paralelos do fórum que reúne empresários, políticos e figurões brasileiros em Portugal. O encontro, reservado para poucos convidados, teve direito até a convites de última hora para preencher lugares estratégicos à mesa. Mas nem todo mundo topou entrar no salão.
Se tinha alguém realmente inalcançável nos corredores do fórum em Lisboa, esse alguém era André Esteves. O banqueiro circulou cercado, protegido e praticamente inacessível durante o evento. Nada de entrevistas, declarações improvisadas ou papo atravessado com jornalistas. As conversas aconteceram sempre de forma reservada, longe dos olhares curiosos e sob forte blindagem.
O aumento das vagas para contadores no concurso de peritos criminais chamou atenção nos bastidores de Brasília. A justificativa oficial é o crescimento dos crimes financeiros, que têm exigido cada vez mais especialistas em rastrear cifras, planilhas e movimentações suspeitas. Tem gente no meio político dizendo que o Banco Master explica sozinho a nova demanda. Afinal, pelo volume de operações, contratos e cifras que circulam no mercado, já há quem brinque que certos casos vão precisar de uma força-tarefa inteira de contadores para fechar a conta.
Enquanto posa de fiscal da moralidade nas redes sociais, o deputado Mário Frias viu o nome do gabinete parar no meio de uma investigação policial em São Paulo. Isso porque quase R$ 270 mil da cota parlamentar foram destinados a empresas ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama, alvo de operação que apura supostas irregularidades em contratos milionários de Wi-Fi na periferia paulistana. Uma das firmas beneficiadas pelo gabinete, inclusive, foi alvo de busca e apreensão.
Os vazamentos envolvendo conversas e encontros entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro acenderam o alerta na turma da Faria Lima. O pré-candidato do PL à Presidência, que antes circulava com facilidade entre empresários e investidores, agora enfrenta um ambiente bem mais frio nos bastidores do mercado.
A cinebiografia de Jair Bolsonaro ainda nem estreou, mas já ganhou um plot twist involuntário. A operação da Polícia Civil que mira o Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora de “Dark Horse”, trouxe para o centro do roteiro um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar internet gratuita em comunidades. Em Brasília, chamariam de meta flexível. Em Hollywood, talvez de liberdade criativa.
O caso ganhou pontos ainda mais cinematográficos quando surgiram suspeitas de que recursos do programa poderiam ter se misturado às atividades da produção do filme. Enquanto investigadores falam em lavagem de dinheiro e confusão patrimonial, aliados de Karina Gama enxergam perseguição política. Será?
No meio do fogo cruzado, Ricardo Nunes sai em defesa da empresária e sugeriu que a investigação pode ter sido inspirada mais pelo roteiro do filme do que pelos documentos do contrato. A apuração do enredo… continua.
Durante anos, a Avenida Faria Lima vendeu a imagem de templo da inovação financeira. Agora o povo descobre que algumas fintechs teriam levado o conceito de “desburocratização” a níveis bastante criativos. A Operação Fluxo Oculto revelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, fraude tributária e adulteração de combustíveis que teria usado empresas financeiras digitais como verdadeiros dutos para movimentar recursos de origem suspeita.
O detalhe que transforma a história em clássico paulistano é a chamada “convergência criminal”: empresários do setor de combustíveis, fintechs modernas e estruturas ligadas ao PCC compartilhando o mesmo ecossistema financeiro. Em um dos casos investigados, 56 postos de combustíveis operavam por uma única conta bancária, uma eficiência operacional que faria qualquer consultoria corporativa derramar lágrimas de emoção.
A operação que atingiu a Prefeitura de São Paulo produziu um daqueles momentos raros em que aliados precisam explicar publicamente que continuam aliados. Depois de Nunes insinuar que a investigação poderia ter motivações políticas, Tarcísio de Freitas tratou de lembrar um detalhe importante: a Polícia Civil não recebe roteiro do Palácio dos Bandeirantes.
Sem elevar o tom, o representante dos Republicanos fez questão de reforçar que a polícia é uma instituição de Estado e apenas cumpriu uma demanda do MP. Tradução livre dos bastidores: amigos, amigos; mandados de busca à parte. O episódio levou governador e prefeito a uma conversa de alinhamento enquanto a oposição observava de camarote.
Entre investigações, diplomacia internacional e caravanas pelo interior em pleno calendário eleitoral, o governador segue tentando convencer que a intensa agenda de inaugurações não tem nada a ver com eleição. Os prefeitos presentes concordaram. Afinal, é difícil reclamar de quem chega trazendo obra, investimento e foto para as redes sociais.
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