Polícia
por Marina do Val
Publicado em 03/09/2026, às 14h07
Uma nova modalidade de fraude tem preocupado autoridades e trabalhadores em busca de recolocação no mercado de trabalho.
Criminosos estão organizando falsas seleções de emprego com o objetivo de coletar dados pessoais e a biometria facial de candidatos.
O reconhecimento facial capturado durante as supostas entrevistas é utilizado posteriormente para a contratação de financiamentos de veículos de alto valor e aberturas de contas em nome das vítimas.
Segundo a Polícia Civil, a estimativa é de que o esquema já tenha gerado um prejuízo total superior a R$1 milhão.
Pelo menos seis vítimas foram identificadas em estados como Espírito Santo e Goiás, mas há indícios de atuação da quadrilha também em Minas Gerais e no Paraná.
O modus operandi dos golpistas envolve atrair pessoas com ofertas de vagas bastante vantajosas.
Em um dos casos registrados em Vitória (ES), um candidato a uma vaga de motorista com salário de R$4 mil foi orientado a realizar uma verificação facial, sob a justificativa de que o procedimento serviria para um cadastro de acesso ao condomínio.
Pouco depois de voltar para casa, o trabalhador foi surpreendido com uma notificação por e-mail informando o financiamento não autorizado de um veículo no valor de R$230 mil em seu nome.
Em Goiás, outra vítima enfrentou situação semelhante ao descobrir o financiamento não solicitado de um carro avaliado em R$150 mil.
Duas mulheres, identificadas como Alane Ismel, de 19 anos, e Angela Vitória, de 24 anos, foram presas em Goiânia (GO) sob a suspeita de integrarem o esquema criminoso.
Imagens capturadas mostram a dupla interagindo diretamente com os candidatos durante as etapas das entrevistas simuladas.
Em depoimento às autoridades, as investigadas afirmaram que os dados biométricos coletados eram repassados a uma terceira pessoa e alegaram que não sabiam da finalidade fraudulenta das operações.
De acordo com o delegado Jonathan Lana para o Bom Dia Brasil, jornal da TV Globo, a biometria facial possui atualmente o mesmo peso de validação que uma assinatura física para diversas operações financeiras, incluindo abertura de contas e concessão de empréstimos.
Por isso, especialistas e autoridades orientam que os candidatos pesquisem a reputação da empresa nos canais oficiais antes de comparecerem a qualquer seleção.
É fundamental desconfiar de salários muito acima da média do mercado, evitar encontros em locais sem identificação visual clara e recusar o fornecimento de fotos, validações faciais ou documentos sem a certeza de quem está coletando e para qual finalidade a informação será utilizada.
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