Polícia

Celular arrancado na porta do trem e furtos em meio à multidão: insegurança preocupa passageiros em SP

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Dados mostram queda nas ocorrências de furtos, mas relatos de passageiros indicam que o medo continua presente.  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Rovena Rosa/Agência Brasil
Fernanda Montanha

por Fernanda Montanha

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Publicado em 06/07/2026, às 10h42



Milhões de pessoas passam diariamente pelas plataformas e vagões do sistema metroferroviário de São Paulo. Em meio ao fluxo intenso de passageiros, furtos e roubos de celulares, bolsas e carteiras continuam preocupando quem depende do transporte público e mudando a rotina de quem utiliza o serviço todos os os dias.

Os crimes costumam ocorrer em poucos segundos e, muitas vezes, sem que a vítima consiga identificar o autor. O receio de ter objetos levados durante a viagem faz com que passageiros escondam celulares, mudem hábitos e permaneçam em alerta do embarque ao desembarque.

Foi exatamente essa sensação que ficou para o vendedor Carlos Henrique Souza, de 41 anos. Ele teve o celular roubado na estação Sé enquanto embarcava no trem.

"Eu estava entrando no trem quando a porta já estava quase fechando. Um rapaz puxou meu celular da minha mão e saiu correndo para a plataforma. A porta fechou logo em seguida e eu fiquei preso dentro do trem, sem conseguir fazer nada", relembra.

Segundo ele, o momento foi marcado pela impotência. "Foi desesperador. Eu só consegui ver ele correndo. A sensação é de que eles já conhecem exatamente o tempo da porta fechar e usam isso para escapar."

Foto: Reprodução/Rovena Rosa/Agência Brasil
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Furtos acontecem sem que a vítima perceba

Nem todos os crimes acontecem com abordagem direta. Em muitos casos, as vítimas só percebem o furto minutos depois, quando procuram pelo celular ou carteira.

Foi o que aconteceu com a analista de marketing Juliana Martins, de 28 anos, ao deixar a estação Fradique Coutinho.

"Foi muito rápido. Eu estava saindo da estação, andando junto com várias pessoas, quando alguém pegou meu celular do bolso da mochila. Eu só percebi alguns minutos depois, quando fui chamar um carro por aplicativo. Nem consegui ver quem foi."

Ela conta que o prejuízo financeiro foi acompanhado por um sentimento de revolta. Além da perda do aparelho, muitas vítimas relatam sensação de impotência por não conseguirem identificar os responsáveis.

Depois do episódio, Juliana mudou completamente sua rotina. Hoje, evita guardar o celular em bolsos externos, mantém a mochila sempre à frente do corpo e procura não utilizar o aparelho enquanto circula pelas estações.

Carlos também adotou novos cuidados. "Continuo usando porque preciso trabalhar, mas hoje fico muito mais atento. Evito usar o celular perto das portas e sempre observo quem está ao meu redor."

Medo muda comportamento dos passageiros

Mesmo quem nunca sofreu um furto afirma que passou a redobrar a atenção durante as viagens.

A auxiliar administrativa Rosana Almeida, de 55 anos, diz que nunca foi vítima de um crime no metrô ou nos trens, mas admite que os relatos frequentes influenciaram seus hábitos.

"Graças a Deus, nunca aconteceu comigo. Mas vejo tantos relatos que fico sempre alerta."

Ela afirma que passou a manter a bolsa sempre na frente do corpo, evita usar o celular enquanto aguarda o trem e, quando precisa responder alguma mensagem, procura um local mais movimentado ou entra em alguma loja da estação.

Para Rosana, a sensação de insegurança é compartilhada por boa parte dos passageiros. "Mesmo quem nunca foi vítima conhece alguém que já passou por isso. Acho que todo mundo embarca prestando mais atenção nas pessoas ao redor do que alguns anos atrás."

O comportamento preventivo passou a fazer parte da rotina de muitos usuários, principalmente nos horários de maior movimento, quando a grande circulação de pessoas dificulta perceber a ação dos criminosos.

Números mostram queda nas ocorrências

Apesar da preocupação dos passageiros, os dados oficiais apontam redução em parte dos registros.

Levantamento da Secretaria da Segurança Pública mostra que foram registrados 24.415 furtos de celulares em trens e estações de metrô durante 2025, média de 66 casos por dia. Em janeiro deste ano, foram contabilizados 1.633 furtos, número inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. As regiões da Sé, Brás, Barra Funda e Pinheiros estão entre as que concentram maior quantidade de ocorrências, reflexo também do intenso fluxo diário de passageiros.

Em nota enviada ao BNews São Paulo, a CPTM informou que transporta cerca de 1,2 milhão de passageiros por dia útil e mantém ações permanentes de segurança em todas as estações e trens.

Segundo a companhia, entre janeiro e maio de 2025 foram registradas 102 ocorrências de furtos na rede administrada pela empresa. No mesmo período deste ano, o número caiu para 60 ocorrências.

A CPTM afirma que o sistema de segurança conta atualmente com milhares de câmeras de monitoramento distribuídas entre estações e trens, além de câmeras corporais utilizadas pelas equipes de segurança.

Ao todo, são 2.945 câmeras instaladas em estações, subestações e pátios, além de outras 4.824 nos trens. As imagens são acompanhadas pela Central de Monitoramento da Segurança, integrada às forças policiais. A companhia também passou a utilizar 160 bodycams entre os agentes.

Órgãos reforçam ações de monitoramento

A TIC Trens informou que realiza ações permanentes de prevenção, monitoramento e vigilância para reduzir furtos e roubos. Entre as medidas estão patrulhamento motorizado, reforço das equipes de atendimento e um sistema com mais de 700 câmeras distribuídas ao longo da linha.

A concessionária também orienta que passageiros vítimas de furto ou roubo registrem boletim de ocorrência, permitindo que as imagens de monitoramento sejam disponibilizadas às autoridades para auxiliar nas investigações.

Já a Secretaria da Segurança Pública informou ao BNews São Paulo que as ocorrências registradas nas dependências das estações são investigadas pela Delegacia do Metropolitano (Delpom), especializada em crimes ocorridos no sistema metroferroviário.

Segundo a pasta, desde 2024 mais de 3,1 mil suspeitos de furtos e roubos foram detidos, sendo 454 apenas nos 5 primeiros meses deste ano. A SSP também destacou que as câmeras das estações passaram a ser integradas ao programa Muralha Paulista desde dezembro de 2025.

O Metrô informou que conta com cerca de 1.100 profissionais dedicados à segurança dos passageiros, entre agentes próprios, policiais militares da Dejem e vigilantes terceirizados.

Além disso, a companhia afirma possuir mais de 5 mil câmeras equipadas com inteligência artificial e integradas ao Muralha Paulista. Os passageiros também podem comunicar situações suspeitas por meio do SMS Segurança e do aplicativo Metrô Conecta, ferramentas que permitem o acionamento rápido das equipes.

Embora os órgãos responsáveis apontem reforço na segurança e redução das ocorrências, os relatos dos passageiros mostram que a sensação de insegurança continua presente na rotina de quem utiliza diariamente o transporte público da capital paulista.

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