Polícia
A defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, entrou em uma corrida contra o tempo para apresentar sua proposta de delação premiada. A movimentação ocorre diante do avanço de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode endurecer as regras para esse tipo de acordo. As informações foram publicadas pelo Metrópoles.
O fator determinante para a aceleração é a decisão do ministro Alexandre de Moraes de liberar para julgamento uma ação movida pelo Partido dos Trabalhadores (PT). O processo discute limites para o uso de delações premiadas e pode restringir práticas hoje comuns nas investigações.
Entre os pontos mais sensíveis está a possibilidade de proibir medidas como buscas e apreensões baseadas apenas em declarações de delatores. Caso essa regra avance, a estratégia da defesa de Vorcaro pode ser diretamente afetada, especialmente na tentativa de obter um habeas corpus.
Outro elemento que preocupa os advogados é a discussão sobre delações cruzadas, como a que estaria sendo negociada entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. A ação no STF sugere que esse tipo de colaboração não tenha valor probatório suficiente sem evidências adicionais.
Vorcaro já está na segunda fase do processo de delação. Em março, ele assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF), que, pela primeira vez, atuam conjuntamente na condução do acordo. A estratégia busca evitar falhas que comprometam a credibilidade da colaboração.
Apesar da pressa da defesa, investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal avaliam que o caso exige cautela. A análise envolve dezenas de anexos e a verificação de provas, incluindo dados de oito celulares apreendidos.
Além disso, a delação precisa trazer novos fatos relevantes. Apenas a narrativa do empresário não será suficiente. Ele também deverá apontar possíveis nomes de pessoas em níveis superiores dentro da suposta organização criminosa.
Preso preventivamente desde 4 de março, após a Operação Compliance Zero, Vorcaro é investigado por suspeita de fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB). O caso pode se tornar um dos maiores escândalos financeiros do país.
Transferido para a carceragem da PF, ele passou a ter maior acesso aos advogados, o que facilitou a construção da proposta. Ainda assim, enfrenta um cenário adverso: a expectativa de conseguir prisão domiciliar ou benefícios amplos na Justiça é considerada baixa, mesmo em caso de colaboração.
Após a entrega dos anexos e eventual validação dos investigadores, o acordo será encaminhado para homologação do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
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