Polícia

Empresa citada por elo com PCC tem conexão com Corinthians; entenda o caso

Foto: Hugo Rodrigues/Corinthians
A mesma empresa sancionada por ligações com PCC nos EUA é responsável por intermediar dinheiro desviado do clube paulista no caso da Vai de Bet  |   BNews SP - Divulgação Foto: Hugo Rodrigues/Corinthians
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 01/07/2026, às 15h30



O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções financeiras contra dois cidadãos brasileiros e quatro empresas acusados de integrar uma rede transnacional de lavagem de dinheiro ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Entre os alvos está a empresa Victory Trading e seu proprietário, Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontados em investigações que cruzam operações de narcotráfico com o escândalo de patrocínio da Vai de Bet no Corinthians.

Com a determinação do governo americano, todos os bens e ativos dos indivíduos e empresas listados em território dos EUA foram bloqueados.

Além disso, cidadãos e instituições financeiras norte-americanas ou internacionais que realizarem transações comerciais com os sancionados ficam sujeitos a penalidades e restrições severas.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O esquema de lavagem e conexões internacionais

De acordo com o Metrópoles, a organização operava um fluxo financeiro estruturado entre São Paulo e o estado da Flórida, nos Estados Unidos.

O grupo teria movimentado e lavado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 165 milhões) em lucros provenientes do tráfico internacional de drogas, utilizando transações com criptomoedas para transferir os valores de volta ao mercado brasileiro.

As investigações apontam as seguintes funções para os principais alvos:

  • Victor Henrique de Oliveira Shimada: Apontado como o elo central entre os operadores do PCC no exterior e os traficantes em solo brasileiro, coordenando a ocultação de ativos e fraudes financeiras.

  • Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira: Descrita como responsável pela logística do grupo, atuando na intermediação e na coleta física de grandes quantias de dinheiro em espécie.

  • Victory Trading e demais firmas: Empresas de fachada ou intermediárias utilizadas no circuito bancário.

Origem das investigações e desdobramentos

A infraestrutura do esquema começou a ser desmantelada a partir de dados obtidos na delação premiada do corretor Vinícius Gritzbach, assassinado em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

Em janeiro de 2025, Shimada chegou a ser preso temporariamente pela Polícia Federal por suspeita de fraudar contratos de patrocínio esportivo para escoar os recursos ilícitos.

Em janeiro de 2026, o FBI prendeu seis membros da célula que operava na Flórida.

Embora o inquérito sobre as contas da Vai de Bet e o repasse de valores intermediados no Corinthians corra sob a responsabilidade da Polícia Civil de São Paulo, a Polícia Federal e agências de inteligência estrangeiras atuam em conjunto devido ao caráter internacional das movimentações financeiras da organização.

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