Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 28/06/2026, às 11h02
Em depoimento ao Gaeco, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), o corretor Antônio Vinícius Lopes Gritzbach revelou um esquema de corrupção policial.
Em seus relatos, feitos antes de ser executado, o delator revelou que a investigação sobre os homicídios de integrantes do PCC, conhecidos como "Cara Preta" e "Sem Sangue", foi utilizada por agentes corruptos como instrumento de extorsão.
Gritzbach contou que, durante sua prisão temporária, em fevereiro de 2022, foi levado à sala do delegado Fábio Baena, que lhe indicou o advogado Ivelson Saloto.
Dias depois, o defensor teria comunicado ao corretor um pedido de propina de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões, sob a justificativa de que ele possuiria um pendrive com chaves de acesso a criptomoedas, dispositivo que o delator negou ter.
Gritzbach informou que, durante uma busca em sua residência, os policiais localizaram o contrato de compra de um sítio.
Segundo o corretor, foi por meio dessa descoberta informal que a equipe localizou a propriedade e passou a articular a comercialização ilegal do imóvel.
Gritzbach afirmou que 14 relógios de luxo foram recolhidos em sua prisão temporária, sem registro formal.
No momento de sua soltura, apenas dez itens foram devolvidos por seu advogado, segundo o Metrópoles.
Quatro relógios da marca Hublot, avaliados em R$ 180 mil, teriam sido retidos no armário pessoal do chefe dos investigadores e, posteriormente, oferecidos no mercado clandestino.
O corretor admitiu aos promotores que, pelo desgaste sofrido na custódia, autorizou a defesa a oferecer entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões aos policiais para evitar a prorrogação da prisão.
A resposta dos agentes indicou que o valor não bastava, pois já haviam recebido quantias superiores de terceiros interessados em mantê-lo preso.
Gritzbach também relatou que celulares apreendidos em outra apuração foram resetados dentro do Deic para destruir evidências.
As provas entregues pelo delator embasaram uma operação conjunta entre a Polícia Federal e o MPSP.
Em 17 de dezembro de 2024, o delegado Fábio Baena e o chefe de investigadores Eduardo Monteiro foram presos.
Em 31 de março de 2026, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou a preventiva de Baena, aplicando cautelares como tornozeleira eletrônica, fiança de R$ 100 mil e afastamento das funções públicas.
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