Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 19/08/2026, às 13h45
A Justiça de São Paulo tornou réu o empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos, pelos crimes de lesão corporal e ameaça contra a dentista Giullia Falcão, de 27.
Na mesma decisão, a Justiça concedeu medidas protetivas de urgência à vítima e autorizou que ela retorne à casa onde morava com o empresário, após afirmar que foi impedida de entrar no imóvel pela família do acusado.
Preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória I de Pinheiros, Ivo teve negado o pedido da defesa para cumprir a prisão em regime domiciliar.
A decisão também determinou a restituição dos bens pessoais e do veículo pertencentes à dentista.
Giullia pretende voltar ao imóvel nesta terça-feira (19), acompanhada pelos advogados. Em entrevista ao UOL, ela comemorou a decisão e afirmou que chegou a ficar sem ter onde morar após deixar o hospital.
"Porque, na verdade, é minha casa também. Eu tava sem teto, desabrigada, sem ter para onde ir", disse.
A dentista afirmou que pretende trocar novamente as fechaduras da residência e contratar um segurança particular. Segundo ela, funcionários do imóvel participaram ou se omitiram durante o episódio de violência.
Giullia contou que, após receber alta do hospital, tentou retornar para a residência, mas foi impedida pelos sogros. Segundo o relato, um chaveiro estava trocando a fechadura do imóvel naquele momento.
"Eu saí do hospital e fui lá [na casa]. Meus sogros proibiram minha entrada, e o chaveiro estava trocando a fechadura", afirmou.
A defesa da dentista também pretende responsabilizar familiares do empresário que teriam impedido o acesso dela à residência, além de investigar a atuação dos seguranças envolvidos no episódio.
O advogado Fabio Fajolli afirmou que a defesa trabalha em três frentes: alterar a tipificação atribuída a Ivo para tentativa de feminicídio e ameaça, responsabilizar familiares do empresário e apurar a possível participação de seguranças.
Apesar das acusações da vítima, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que, até o momento, não há investigação instaurada contra as demais pessoas envolvidas na ocorrência.
Ivo Kos foi preso na madrugada de sábado (15), em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, após a dentista acusá-lo de agressões durante o retorno de um jantar com clientes.
Segundo o relato de Giullia à polícia, o casal discutiu dentro do carro e o empresário teria dado socos nela. Ao chegarem à residência, ela afirmou que se recusou a entrar, mas teria sido puxada para dentro do imóvel pelo marido com a ajuda de um segurança.
Ainda segundo a dentista, as agressões continuaram dentro da casa. Ela relatou que Ivo teria usado um taco de beisebol para golpeá-la na mão, além de ameaçá-la com uma arma de choque e tomar seu celular. Giullia também afirmou que o empresário disse que a mataria caso ela saísse para a rua.
Nas redes sociais, a dentista publicou imagens em que aparece com ferimentos no rosto, incluindo inchaço nos olhos e nos lábios e lesões no nariz.
No boletim de ocorrência, Ivo apresentou uma versão diferente dos fatos. Ele afirmou que Giullia estava sob efeito de álcool e negou ter agredido a mulher dentro do carro. O empresário, porém, admitiu ter dado um soco nela do lado de fora da residência.
Ele também negou ter utilizado um taco de beisebol ou uma arma de choque para ameaçá-la. Segundo seu relato, chegou a buscar gelo para que a mulher colocasse nos ferimentos e afirmou que ela teria atingido seu rosto.
Os dois passaram por exames de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML), e Ivo também foi submetido a exame toxicológico.
A SSP informou que o empresário foi indiciado por lesão corporal e ameaça. A pasta afirmou que, por se tratar de uma prisão em flagrante, o caso foi comunicado imediatamente ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.
A defesa de Ivo informou que não vai se manifestar neste momento.
Ivo Kos é empresário do mercado financeiro e atua na região da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. Ele é sócio-fundador da Virgo, empresa de securitização que foi alvo de processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no ano passado.
A investigação sobre as agressões continua, enquanto a defesa da vítima afirma que pretende buscar uma mudança na classificação criminal do caso para tentativa de feminicídio.
Mulheres vítimas de violência podem buscar orientação e denunciar pelo Ligue 180, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia. O atendimento também pode ser feito pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
Em situações de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.
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