Polícia
por Marina do Val
Publicado em 01/10/2026, às 18h23
A tentativa de execução de Christa Pike, de 50 anos, na noite da última quarta-feira (30), terminou de forma dramática no Estado do Tennessee, nos Estados Unidos.
Condenada à morte por um assassinato cometido em 1995, Pike sobreviveu após a aplicação de duas doses do sedativo pentobarbital na prisão de segurança máxima Riverbend, em Nashville.
O caso levou o governador Bill Lee a suspender temporariamente todas as execuções previstas para o ano no estado. Pike seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.
Testemunhas e jornalistas que acompanhavam o procedimento relataram que, após a aplicação das seringas letais, Christa Pike permaneceu viva, apresentando respiração pesada, roncos e suspiros, além de relatar desconforto no armamento intravenoso.
Em determinado momento, as cortinas da sala de observação foram fechadas, e líderes religiosos foram chamados ao local.
Diante do fracasso em induzir a parada cardíaca, agentes acionaram o socorro médico. Pike foi transportada de ambulância para um hospital fora da penitenciária, onde permanece sob cuidados intensivos.
Em nota, o Departamento de Correção do Tennessee informou que os químicos utilizados costumam ser eficazes e que o protocolo não prevê doses adicionais além das ministradas. Após o ocorrido, o governador Bill Lee ordenou uma "revisão abrangente e independente" dos procedimentos de injeção letal do estado.
Christa Pike tinha 18 anos em janeiro de 1995 quando, acompanhada de seu namorado de 17 anos, Tadaryl Shipp, e de uma terceira jovem, atraiu a estudante Colleen Slemmer, de 19 anos, para uma área de mata em Knoxville.
Motivada por ciúmes, Pike torturou e agrediu Colleen brutalmente. O crime chocou o país devido à crueldade dos detalhes, que incluíram a gravação de um símbolo de pentagrama no peito da vítima.
Christa Pike foi condenada à pena de morte, enquanto Shipp recebeu prisão perpétua com direito a condicional por ser menor de idade na época.
Ao longo dos anos, a defesa de Pike apresentou recursos apontando que a ré sofreu graves abusos físicos e sexuais durante a infância, além de ter sido diagnosticada na prisão com transtorno bipolar e estresse pós-traumático.
Especialistas da ONU e defensores dos direitos humanos argumentaram que o histórico de trauma e a pouca idade à época do crime justificariam a comutação da pena para prisão perpétua.
Por outro lado, a mãe da vítima, May Martinez, declarou publicamente ao longo dos anos que aguardava a execução para que a família pudesse ter um encerramento: "Quero que isso aconteça para que minha filha finalmente possa descansar em paz", afirmou.
A execução havia sido autorizada pela Suprema Corte dos EUA horas antes do procedimento, após a derrubada de uma liminar concedida por um tribunal federal de recursos. Com a falha técnica e a nova suspensão das execuções no Tennessee, o futuro jurídico do caso permanece incerto.
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