Polícia

Falsos médicos alvos de operação não souberam reanimar paciente com parada cardíaca, diz polícia

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Falsos médicos são alvos da Operação Hipócrates e um deles está foragido no Chile  |   BNews SP - Divulgação Reprodução/ Google Street View
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 26/05/2026, às 16h38



Durante as investigações que prenderam um falso médico no âmbito da Operação Hipócrates, deflagrada nesta terça-feira (26), a polícia descobriu que uma paciente com dengue sofreu uma parada cardíaca e morreu após ser atendida pelos dois falsos médicos do Hospital de Clínicas Jardim Helena, na Zona Leste de São Paulo. . As investigações sobre o esquema criminoso começaram após uma denúncia feita ao Disque Denúncia.

De acordo com a Polícia Civil, eles  não souberam realizar manobras básicas de reanimação durante a emergência. Durante os trabalhos policiais, o falso médico preso foi flagrado recebendo uma cliente na rua do apartamento para aplicar uma medicação. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (26) pelo delegado José Mariano Filho, responsável pelas investigações durante coletiva de imprensa.O segundo investigado, Maike César Silva, está foragido no Chile. 

Os investigadores afirmam que ao menos nove mortes são apuradas no caso e que um laudo do Instituto Médico Legal (IML) já apontou erro de procedimento como causa de uma das mortes investigadas. Segundo a polícia, a paciente com dengue, uma fisioterapeuta, já chegou ao hospital diagnosticada com a doença e apresentava queda no nível de plaquetas — um indicativo de agravamento do quadro clínico.

"Eles não sabiam como proceder. Ela passou a ficar em uma situação delicada até que ela teve uma parada cardíaca, e eles não sabiam como ressuscitar. É uma manobra muito simples para uma pessoa com conhecimento técnico realizar", disse o delegado Mariano Filho.

Outro caso citado pela polícia envolve uma mulher com problemas cardíacos. Segundo Mariano Filho, um laudo do Instituto Médico Legal apontou que um erro de procedimento causou a morte da paciente.

“Ela ficou oito horas sem que fosse feito um exame cardíaco que apuraria que ela estava com aneurisma na aorta. Por conta desse intervalo de tempo tão longo, ela morreu”, acrescentou o delegado.

As investigações também miram a possível omissão da direção da unidade de saúde. De acordo com o delegado, os suspeitos recebiam salários inferiores aos dos demais médicos. “O pagamento que era realizado para esses falsos médicos era diferenciado, a menor. Por que alguém aceitaria ser remunerado a menor? Essa é uma das características”, afirmou. 

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