Polícia
por Bernardo Rego
Publicado em 04/05/2026, às 08h01
Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo aponta que o Estado registrou alta no número de feminicídios e mortes por intervenção policial no primeiro trimestre de 2026. Nesse período, uma mulher foi morta vítima de feminicídio a cada 25 horas no Estado.
Foram registrados 86 casos, alta de 41% em relação ao mesmo período do ano passado e de 72% na comparação com o mesmo período de 2022, início da atual gestão estadual. É o maior número de casos de casos para um primeiro trimestre desde o início da série histórica.
Entre 2022 e 2025, o Brasil registrou aumento de 9,1% nos casos, enquanto o estado de São Paulo registrou crescimento de 43% no período, segundo levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz. O interior concentrou o maior avanço. Foram 60 feminicídios no primeiro trimestre de 2026, aumento de 76,5% em relação a 2025 e de 93,5% na comparação com 2022. Na Grande São Paulo houve uma queda de 10% em relação a 2025 e de 25% na comparação com 2022.
Na capital, o número de casos permaneceu estável em relação ao ano passado, com 17 registros, mas representa alta de 142,9% em comparação com 2022. Os casos de estupro de vulnerável também aumentaram 22% no período. Em relação a 2025, foram nove registros a mais, totalizando 2.941 ocorrências nos primeiros três meses deste ano.
Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que "o enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo os casos de feminicídio, é prioridade do governo de São Paulo, que tem intensificado de forma contínua a rede de proteção e os mecanismos de prevenção."
A pasta disse que o estado "ampliou a rede, com 144 DDMs e 173 Salas DDM para atendimento remoto, e o reforço de mais de 650 policiais. Ainda estão previstas 69 novas salas DDM, parte de um pacote de medidas anunciadas no final de março para ampliar as políticas públicas de combate à violência contra a mulher".
A secretaria destacou a existência do "aplicativo SP Mulher Segura, que permite o registro da ocorrência on-line, 24h por dia, além do botão do pânico para mulheres com medida protetiva" e ressaltou que "o pacote de ações também inclui um Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e a ampliação da rede de proteção, além da ampliação do monitoramento eletrônico de agressores".
Ressaltou ainda que "a Polícia Civil também intensificou o combate a esses crimes, com grandes operações especializadas para responsabilização de agressores, como a Operação Damas de Ferro III, deflagrada na última quinta-feira (30). Apenas nos últimos 3 meses, foram presos mais de 2 mil homens em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais relacionados a crimes contra mulheres".
Letalidade policial
A respeito das mortes por intervenção policial, São Paulo teve alta no primeiro trimestre de 2026. Na comparação com o mesmo período do ano passado, as mortes cometidas por policiais passou de 163 para 176, aumento de 8% em todo o estado.
Na capital paulista, o crescimento foi ainda mais acentuado nas ocorrências envolvendo policiais em serviço. Os números passaram de 48 no primeiro trimestre de 2022 para 60 no mesmo período de 2026, alta de 35%.
O que diz a SSP
"A SSP ressalta que todas as ocorrências de mortes por intervenção policial (MDIPs) são rigorosamente investigadas, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário. Paralelamente, o Estado tem adotado medidas contínuas para redução da letalidade, como o aperfeiçoamento de protocolos operacionais, capacitação dos agentes e ampliação do uso de tecnologias e equipamentos de menor potencial ofensivo, como espargidores, bastões retráteis e armas de incapacitação neuromuscular, cujos investimentos superaram R$ 27,8 milhões na aquisição de mais de 3.500 unidades desse tipo."
"O Estado é referência em transparência e controle, com o uso de Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) e monitoramento em tempo real das ações policiais. O total de equipamentos está sendo ampliado para 15 mil, representando aumento de 48,1% em relação aos contratos firmados na gestão anterior. Programas como o Muralha Paulista integram tecnologia, inteligência e bancos de dados para aumentar a eficiência das ações e reduzir a necessidade do uso da força. Atualmente, 610 municípios mostraram interesse na adesão desta política pública, sendo 205 já integrados. São mais de 125,5 mil câmeras interligadas e mais de 70% da população paulista coberta pelo sistema."
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