Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 28/07/2026, às 07h26
O gari Diêgo Rafael da Silva, de 19 anos, que morreu após ser atropelado na noite de domingo (26), na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo, trabalhava havia apenas dois meses na coleta de lixo da capital paulista.
Funcionário da Loga, concessionária responsável pelo serviço na região, ele deixa a esposa grávida e uma filha de 1 ano e 3 meses. O acidente ocorreu na Rua do Bosque, enquanto Diêgo participava da operação de coleta.
Segundo o boletim de ocorrência, ele aguardava o despejo de resíduos de um contêiner no caminhão de lixo e estava posicionado na lateral esquerda do veículo quando foi atingido por uma Land Rover Discovery preta, conduzida pelo empresário chinês Guofang Huang, de 53 anos.
Com a força do impacto, o jovem foi arremessado para a parte dianteira do caminhão. O boné que usava também foi lançado à distância, caindo próximo ao local onde ele estava antes da colisão. Diêgo foi socorrido e encaminhado à Santa Casa de São Paulo, mas não resistiu aos ferimentos.
De acordo com a Polícia Civil, o motorista deixou o local sem prestar socorro. Um motoboy que presenciou o atropelamento perseguiu o veículo, fazendo com que Huang retornasse à cena do acidente.
Antes da chegada da polícia, o motorista do caminhão de lixo precisou intervir para evitar que o empresário fosse agredido por testemunhas.
Submetido ao teste do bafômetro, Huang apresentou 0,73 miligrama de álcool por litro de ar alveolar, índice superior ao limite de 0,34 mg/l que configura crime de trânsito. Durante o depoimento, ele permaneceu em silêncio.
Na audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (27), a Justiça converteu a prisão em flagrante do empresário em prisão preventiva, sem prazo determinado.
Até o fim do dia, ele ainda não havia sido encaminhado a um Centro de Detenção Provisória (CDP) e permaneceu na carceragem de uma delegacia.
Em nota, a Loga informou que o caminhão envolvido na ocorrência estava estacionado e devidamente sinalizado, em conformidade com os protocolos de segurança adotados pela concessionária.
Segundo a Folha, a defesa de Guofang Huang, representada pelos advogados Lucas Quintela e Jéssica Narjara Camillis, afirmou que acompanha a investigação e colaborará com o esclarecimento dos fatos.
Os defensores ressaltaram que as circunstâncias do acidente ainda estão sendo apuradas e que qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade criminal seria prematura.
Os advogados também destacaram que o empresário tem direito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
Por respeito à investigação, aos familiares da vítima e ao andamento do processo, a defesa informou que só voltará a se manifestar nos autos e perante as autoridades competentes.
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