Polícia

Caso Henry Borel: relembre o caso e detalhes da morte do menino

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Cinco anos após a morte do menino, julgamento de acusados mobiliza atenção nacional e revisita detalhes da investigação  |   BNews SP - Divulgação Foto: arquivo pessoal
Érica Sena

por Érica Sena

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Publicado em 23/03/2026, às 11h07



O julgamento dos acusados pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, começa na próxima segunda-feira (23), no Rio de Janeiro. O caso, que provocou comoção em todo o país em 2021, tem como réus o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e a mãe da criança, Monique Medeiros.

A expectativa é de um júri popular longo e acompanhado de perto pela sociedade, especialmente pelo histórico de reviravoltas e pela gravidade das acusações, como citado pelo site CNN Brasil.

Versões iniciais e laudo contraditório

Henry morreu na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca. Na ocasião, os dois afirmaram que a criança teria sofrido um acidente doméstico, ao cair da cama durante a noite.

A versão, no entanto, foi descartada após o laudo do Instituto Médico-Legal apontar 23 lesões no corpo da criança, incompatíveis com uma queda. A causa da morte foi identificada como hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente.

O resultado da perícia foi determinante para que o caso passasse a ser tratado como homicídio.

Investigação aponta histórico de agressões

As apurações conduzidas pela Polícia Civil indicaram que o menino vivia em um ambiente de violência recorrente. Segundo o inquérito, Jairo Souza Santos Júnior seria o responsável direto pelas agressões, enquanto Monique Medeiros teria conhecimento da situação.

caso henry
Foto: arquivo pessoal

Testemunhos, incluindo o da babá da criança, apontaram que alertas sobre possíveis maus-tratos já haviam sido feitos semanas antes da morte. Para os investigadores, houve omissão por parte da mãe diante das agressões.

O caso levou à cassação do mandato de vereador de Jairinho e à perda de seu registro como médico.

Trajetória judicial marcada por disputas

Desde a prisão dos acusados, em 2021, o processo passou por diversas etapas e disputas jurídicas. Jairo Souza Santos Júnior permanece preso preventivamente desde abril daquele ano, com sucessivos pedidos de liberdade negados pela Justiça.

Monique Medeiros chegou a responder em liberdade em 2022, mas voltou à prisão em julho de 2023 por decisão do ministro Gilmar Mendes. Em março de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio manteve sua prisão preventiva por unanimidade.

Impacto do caso e desdobramentos

A morte de Henry Borel teve grande repercussão nacional e impulsionou debates sobre violência infantil e responsabilidade familiar. O pai do menino, Leniel Borel, passou a atuar publicamente em defesa de leis mais rígidas contra maus-tratos e, em 2024, foi eleito vereador na capital fluminense.

Com o início do julgamento, a expectativa é que o júri esclareça definitivamente as responsabilidades criminais no caso. A decisão poderá encerrar um dos episódios mais marcantes e dolorosos recentes do país, que segue como símbolo da luta contra a violência infantil no Brasil.

Classificação Indicativa: Livre

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