Polícia
por Bernardo Rego
Publicado em 27/05/2026, às 10h59
Um pedido feito à Justiça pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) foi atendido e determinou o bloqueio de R$ 162 milhões de uma organização criminosa voltada à prática de estelionato, lavagem de dinheiro e delitos contra a economia popular. O grupo criminoso atuava contra uma comunidade cigana.
O pedido foi feito pelo Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP) contra 137 pessoas físicas e 32 empresas investigadas por pirâmide financeira. O bloqueio foi feito em contas via Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (SISBAJUD), abrangendo ainda o sequestro de veículos e de 52 imóveis.
De acordo com as investigações, os envolvidos prometiam rendimentos astronômicos, de até 100% ao mês, sob o pretexto de investimentos em ouro, moedas estrangeiras e automóveis. Para cooptar as vítimas, os líderes ostentavam luxo em redes sociais, fazendo com que centenas de pessoas vendessem patrimônios familiares a preços abaixo do mercado para fazer os aportes. O golpe gerou um prejuízo total de ao menos R$ 162 milhões. Há cerca de duas mil vítimas no Brasil e no exterior.
As investigações apontam que o esquema operou fortemente a partir de janeiro de 2023, direcionando o golpe a integrantes da comunidade cigana, tanto no Brasil quanto em outros países. Atraídos por posts que passavam a impressão de riqueza e laços comunitários, centenas de investidores foram induzidos ao erro, chegando a vender as próprias residências, joias de família e veículos para aplicar o dinheiro no falso investimento. Com o inevitável colapso da pirâmide financeira, os líderes fugiram com os bens e passaram a ameaçar de morte as vítimas que tentaram recorrer às autoridades.
O golpe movimentou cifras milionárias, com estimativas que ultrapassam os R$ 700 milhões, uma vez que 98% dos pagamentos operavam à margem do sistema bancário, em malas de dinheiro vivo e barras de ouro.
Entre os bens constritos pela Justiça estão residências em condomínios de alto padrão em Barueri e Santana de Parnaíba, apartamentos em áreas nobres da capital paulista (Vila Mariana, Vila Romana, Perdizes e Ipiranga) e casas em cidades turísticas como Campos do Jordão e Guarujá, além de propriedades nas cidades do Rio de Janeiro (RJ), de Maringá (PR), Goiânia (GO), Uberlândia (MG) e Macapá (AP). As medidas foram autorizadas pelo juiz Paulo Fernando Deroma de Mello.
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