Polícia
Imagens captadas por câmeras corporais e divulgadas pelo g1 registram uma discussão entre um tenente da Polícia Militar e a diretora da EMEI Antônio Bento, localizada na Zona Oeste de São Paulo.
O episódio ocorreu após a entrada de uma equipe policial na unidade escolar, acionada por uma denúncia feita por um pai de aluna.
A reclamação estava relacionada a um desenho produzido por uma criança de 4 anos com referência a Iansã, figura presente em religiões de matriz africana. A situação levou à mobilização de 12 policiais, incluindo agentes armados, dentro da escola infantil.
O caso aconteceu em novembro do ano passado e, meses depois, o pai da criança, que também é policial militar, foi indiciado por intolerância religiosa pela Polícia Civil.
Durante a abordagem registrada em vídeo, a diretora da unidade explicou ao tenente Ronald Camacho que o conteúdo fazia parte de um projeto pedagógico sobre cultura afro-brasileira.
Ela afirmou que a proposta seguia legislações federais que determinam o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas.
A educadora relatou ainda que o pai da aluna teria entrado na escola de forma exaltada, questionando a atividade e constrangendo profissionais da unidade. Segundo a direção, o material utilizado tinha caráter educativo e não religioso.
O policial contestou a explicação e afirmou ter visto um desenho associado ao nome de Iansã, interpretando o conteúdo como religioso. A diretora respondeu que o projeto estava baseado no livro “Ciranda de Aruanda”, utilizado na rede municipal.
Ao longo da conversa, a diretora criticou a presença de um efetivo armado em uma escola de educação infantil para tratar de uma denúncia feita por um responsável que não estava no local. Ela também apontou que a situação poderia configurar coação contra a equipe escolar.
O tenente afirmou que a PM havia sido acionada para averiguar possível intolerância religiosa e disse que buscava ouvir todas as partes envolvidas. Uma supervisora de ensino da rede municipal classificou o caso como uma discussão pedagógica e não religiosa.
Em outro momento, o policial declarou que tentava manter postura neutra diante do conflito, enquanto a diretora defendia que havia uma interpretação equivocada da atividade escolar.
A atuação dos policiais dentro da unidade e o uso de câmeras corporais no caso estão sob investigação em um Inquérito Policial Militar, segundo a Secretaria da Segurança Pública.
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