Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 02/11/2026, às 08h07
Um major da Polícia Militar de São Paulo responde a uma ação penal na Justiça Militar após ser acusado de filmar uma tenente enquanto ela tomava banho no alojamento feminino da Casa Militar, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O episódio teria ocorrido em outubro de 2024, mas a denúncia do Ministério Público foi apresentada em maio de 2026.
O oficial, identificado como Leonardo Casabona, é investigado por suspeita de registro não autorizado da intimidade sexual. Na época dos fatos, ele ocupava a patente de capitão e exercia posição hierárquica superior à da policial.
Segundo a denúncia apresentada pela 4ª Promotoria de Justiça Militar, Casabona teria entrado no alojamento feminino e direcionado o celular para a tenente enquanto ela estava no banho, sem autorização.
De acordo com a acusação, a policial percebeu que havia alguém do lado de fora ao notar um aparelho celular com a câmera voltada para o banheiro, por uma abertura na porta. Ela deixou o boxe, cobriu-se com uma toalha e foi até o corredor, onde encontrou o oficial segurando um telefone.
Questionado sobre o motivo de estar no local, o capitão teria respondido: “Nada, eu iria só zoar”.
Mensagens trocadas entre os dois depois do episódio também foram incluídas no processo. Conforme a denúncia, o oficial pediu desculpas e afirmou que sua intenção era apenas fazer uma brincadeira.
A tenente relatou ter ficado emocionalmente abalada com a situação. Segundo o Ministério Público, ela passou a noite chorando e demonstrou preocupação com a possibilidade de ter sido gravada durante o banho.
Dias após o ocorrido, a policial procurou a capitã Iara Maria, mulher de Guilherme Derrite, que ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo na época. O caso chegou ao conhecimento do governador Tarcísio de Freitas, que determinou o afastamento de Casabona da Casa Militar.
Em 14 de outubro de 2024, a tenente formalizou a denúncia junto à Corregedoria da Polícia Militar.
A defesa do major sustenta que houve um mal-entendido e classifica o episódio como uma brincadeira de mau gosto. O oficial também aponta uma possível motivação política para a denúncia, em meio a divergências internas na cúpula da segurança pública paulista.
Além da ação penal, Casabona foi submetido a uma sindicância depois de ser transferido para o 21º Batalhão da Polícia Militar, na Baixada Santista.
Em maio de 2026, o oficial recebeu uma repreensão disciplinar por perturbar a tranquilidade do alojamento feminino ao golpear um biombo. O boletim que registrou a punição, entretanto, não fez referência à suspeita de filmagem da tenente durante o banho.
O Ministério Público atribui ao major o crime previsto no artigo 216-B do Código Penal, que trata do registro não autorizado da intimidade sexual. A legislação prevê pena de seis meses a um ano de detenção.
O processo tramita em segredo de Justiça e será julgado por um Conselho Especial de Sentença, composto por quatro coronéis e um juiz auditor. Até o momento, Casabona não foi condenado.
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