Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 09/08/2026, às 14h18
Um médico anestesiologista, de 44 anos, foi preso em flagrante na noite da última sexta-feira (7), na região central de São Paulo, sob suspeita de estuprar uma colega de profissão, também médica anestesiologista.
Segundo o depoimento de uma amiga da vítima à polícia, o profissional seria “obcecado” pela médica, embora os dois nunca tenham mantido um relacionamento amoroso ou afetivo.
O caso foi registrado na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em São Paulo, como suspeita de estupro de vulnerável.
A classificação adotada pela polícia considera, entre outros fatores, a possibilidade de a vítima ter estado com a consciência comprometida e, por isso, impossibilitada de oferecer resistência ou de manifestar livremente sua vontade.
De acordo com o boletim de ocorrência, a médica e o suspeito haviam consumido bebidas alcoólicas e LSD, substância de efeito alucinógeno, antes do episódio. Conforme o relato registrado pela polícia, a vítima teria perdido a consciência durante a noite.
Ainda segundo o documento, depois de recuperar a consciência, a médica procurou a amiga e pediu socorro. A partir do relato apresentado pela vítima e das circunstâncias encontradas pelas autoridades, o caso passou a ser investigado como possível crime sexual contra pessoa em situação de vulnerabilidade.
Em depoimento, a amiga afirmou que a médica já havia relatado anteriormente seu desconforto com o comportamento do suspeito. Segundo ela, a vítima dizia que o homem era “obcecado” por ela. A amiga também declarou que, apesar dessa suposta obsessão, os dois nunca haviam tido relacionamento amoroso ou afetivo.
A declaração será analisada pelos investigadores juntamente com os demais elementos reunidos durante a apuração. A polícia deverá considerar tanto o histórico da relação entre os envolvidos quanto as circunstâncias que antecederam e sucederam o episódio.
A investigação também deverá levar em conta os exames médicos e periciais realizados na vítima, além de possíveis vestígios encontrados no local onde o caso teria ocorrido. Outros depoimentos e eventuais registros que possam contribuir para esclarecer a dinâmica dos fatos também poderão ser incorporados ao inquérito.
O suspeito foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça. A prisão, no entanto, não representa uma conclusão sobre a responsabilidade criminal do investigado, que ainda terá direito à defesa e ao devido processo legal.
A apuração deverá esclarecer, entre outros pontos, o estado de consciência da vítima no momento dos fatos, as circunstâncias do consumo de álcool e LSD, a dinâmica ocorrida no apartamento e a existência de elementos que confirmem ou afastem a suspeita apresentada inicialmente.
O crime de estupro de vulnerável pode ser caracterizado quando a vítima não possui condições de oferecer resistência ou de manifestar livremente sua vontade, inclusive em determinadas situações de alteração ou comprometimento de sua capacidade de consentimento. A definição jurídica do caso, contudo, dependerá da análise das provas e das conclusões da investigação.
Investigação do caso
O caso foi formalmente registrado na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e ocorreu em um apartamento situado no bairro do Cambuci, na região central de São Paulo, conforme consta no boletim de ocorrência elaborado pela Polícia Civil.
De acordo com o registro, o encontro havia sido combinado entre os colegas de trabalho para celebrar a publicação de artigos acadêmicos de autoria da vítima.
Durante a ocasião, houve ingestão de bebidas alcoólicas e, segundo o relato oficial, o consumo de uma substância entorpecente.
O último momento nítido da memória da vítima seria o instante em que caía no banheiro. Em sequência, ao retomar gradualmente a lucidez, ela buscou o celular para acionar a mãe e uma amiga.
Também consta no boletim que a mulher trazia vestes e acessórios ao entrar no imóvel, mas foi localizada posteriormente com roupas diferentes e sem os adereços.
Ela ainda relatou flashes nos quais o suspeito tentava praticar relação sexual anal sem o seu consentimento.
Em depoimento à Polícia Civil, o médico apresentou uma versão diferente para os acontecimentos. Segundo o registro do interrogatório, ele confirmou que o encontro com a colega de profissão tinha como objetivo comemorar a divulgação de artigos científicos de autoria da médica.
De acordo com o relato apresentado pelo investigado, ele teria comprado LSD a pedido da própria colega. O médico afirmou que os dois consumiram a substância e bebidas alcoólicas após o almoço, antes de seguirem para o apartamento onde ocorreu o episódio.
Ainda segundo a versão apresentada pelo suspeito, após o consumo da substância, a médica teria passado mal e sofrido uma queda no banheiro. Ele afirmou que a auxiliou e a levou até o quarto para que pudesse se recuperar.
O médico também declarou que o uso da substância provocou nele alterações sensoriais e lapsos de memória. Segundo o depoimento, ele não teria lembranças de ter praticado qualquer ato sexual com a colega, nem de ter trocado beijos ou cometido qualquer tipo de violência física contra ela.
A versão apresentada pelo investigado será confrontada pelos investigadores com o depoimento da vítima, os exames médicos e periciais, eventuais vestígios encontrados no imóvel e os demais elementos que possam contribuir para esclarecer a dinâmica dos fatos.
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