Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 19/06/2026, às 15h33
Dados extraídos de celulares apreendidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) serviram como elemento central para que a Justiça aceitasse a denúncia contra a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
O processo apura os crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo o inquérito, o esquema utilizava uma transportadora de fachada para movimentar e ocultar recursos financeiros de origem ilícita, pulverizando depósitos e mascarando o fluxo de caixa derivado de atividades criminosas.
A investigação detalha como as evidências foram coletadas a partir dos dispositivos móveis de supostos operadores financeiros do grupo, como Ciro Cesar Lemos e Everton de Sousa.
Mensagens e áudios de Ciro afirmavam a prestação de serviços diretos para Marcola há quatro anos, além de registros de depósitos vinculando o detento ao fluxo de lavagem de capitais.
Arquivos do aplicativo Telegram indicam que a conta bancária de Deolane foi sugerida para o recebimento de frações de valores ilícitos enviados pela empresa de fachada.
Segundo a CNN Brasil, foram analisadas movimentações que somam R$ 27.002.774,72 na conta da influenciadora, montante que as autoridades consideram incompatível com a capacidade econômica declarada por ela.
Além disso, gravações telefônicas enviadas a uma funcionária doméstica indicariam o armazenamento de valores em imóveis da advogada e de seus filhos.
Com o acolhimento da denúncia por parte da 3ª Vara da Comarca de Presidente Venceslau, os réus serão citados formalmente e terão um prazo de 10 dias para apresentar suas respectivas respostas à acusação.
Deolane segue presa na penitenciária de Tupi Paulista.
A defesa de Deolane Bezerra informou que o recebimento da denúncia representa apenas uma fase inicial do processo e não estabelece juízo de culpa.
Os advogados sustentam que a influenciadora é inocente, que todos os seus rendimentos têm origem lícita devidamente declarada e que ela não mantém nenhum tipo de vínculo com facções criminosas.
Já a defesa de Marcola e de seus familiares declarou que os apontados encontram-se detidos em presídio federal de segurança máxima desde 2019 sob rigoroso regime de comunicação, o que inviabilizaria a participação nos fatos relatados.
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