Polícia
por Andrezza Souza
Publicado em 18/09/2026, às 23h10
O ex-vereador Milton Leite afirmou ser inocente ao deixar a Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise), em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, no início da noite desta sexta-feira (18).
Alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, Leite se apresentou à polícia durante a tarde, depois de ser considerado foragido. Na saída da delegacia, negou as acusações e disse confiar na Justiça.
“Eu não cometi nenhum crime e nada devo. Eu nego todas as acusações e tenho convicção de que sou inocente”, afirmou.
O político também disse que pretende aguardar as decisões judiciais e apresentar sua versão durante o andamento das investigações. Segundo ele, a apresentação à polícia ocorreu conforme havia sido combinado.
Após deixar a Dise, Leite seria encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito e, depois, transferido para a cadeia pública da cidade.
A prisão de Milton Leite faz parte da Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A ação investiga uma suposta estrutura de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital.
A Justiça determinou a prisão temporária de 16 investigados. De acordo com o delegado Fabricio Intelizano, os mandados têm duração de 30 dias e podem ser prorrogados pelo mesmo período.
As investigações apontam que pelo menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo de São Paulo seriam, em tese, controladas pelo PCC. Segundo as autoridades, o esquema envolveria empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de dinheiro.
Entre os alvos também está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da São Paulo Transporte S.A. (SPTrans), que foi preso na quinta-feira (17). Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em endereços na capital, no interior e no litoral paulista.
Durante as buscas realizadas antes da apresentação de Milton Leite, a polícia encontrou R$ 280 mil e US$ 89 mil na residência de um assessor ligado ao ex-vereador. Considerando a cotação utilizada na ocasião, os valores somavam aproximadamente R$ 737 mil.
A investigação também reúne um depoimento prestado à Corregedoria da Polícia Militar em fevereiro deste ano pelo segundo-sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, que havia sido preso naquele mês.
Segundo o depoimento, Cezário afirmou que Milton Leite seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, empresa de transporte coletivo investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. O policial também declarou que integrantes da direção da companhia seriam usados como laranjas.
Cezário foi preso em uma investigação sobre policiais que atuavam na segurança de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e Cícero de Oliveira, o Té, ambos ex-diretores da Transwolff.
O sargento afirmou ainda que o capitão Alexandre Paulino Vieira, também investigado, fazia a segurança pessoal de Milton Leite. Segundo o relato apresentado à Corregedoria, Paulino teria passado a integrar a equipe responsável pela proteção dos dirigentes da empresa por indicação do então presidente da Câmara Municipal de São Paulo.
Milton Leite nega qualquer ligação com o PCC. Sobre os contatos mantidos com integrantes do setor de transporte, afirmou que eles ocorreram por causa de sua atuação na área pública.
“Eu me reunia porque era vice-prefeito e eu tive essa designação pelo Bruno Covas, em resolver a questão dos transportes”, declarou.
Leite chegou à Câmara Municipal de São Paulo em 1997 e exerceu sete mandatos consecutivos. Presidiu a Casa entre 2017 e 2018 e novamente de 2021 a 2024. Em julho de 2024, anunciou que não disputaria uma nova eleição. Atualmente, preside o União Brasil no estado de São Paulo.
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