Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 09/09/2026, às 12h00
A professora Natália Casorla, de 33 anos, é investigada pela morte do companheiro, o empresário Michel Serra Begali, de 32, encontrado com cerca de 54 facadas no estacionamento de uma academia em Americana, no interior de São Paulo.
O crime aconteceu na manhã do último domingo (6).
Segundo o boletim de ocorrência, o marido foi encontrado caído no chão, com sangramento intenso e ferimentos principalmente na região posterior do pescoço e nas costas. Uma faca estava próxima ao corpo.
Natália foi presa em flagrante por homicídio e permaneceu em silêncio durante o depoimento na delegacia.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que ainda busca esclarecer a dinâmica do crime.
A Polícia Militar foi acionada após receber uma ocorrência de agressão na academia. Quando chegaram ao estabelecimento, os agentes foram informados por uma funcionária de que a ocorrência havia acontecido no estacionamento.
Michel foi socorrido e levado à UPA Dona Rosa, onde a morte foi constatada.
Durante as diligências, os policiais encontraram Natália dentro da academia. Conforme o registro policial, ela estava visivelmente abalada e apresentava vestígios de sangue no corpo e nas roupas.
A filha do casal também estava no local e, segundo o boletim de ocorrência, teria presenciado o crime. Por se tratar de uma criança, ela deverá prestar depoimento especial, procedimento previsto para vítimas ou testemunhas menores de idade.
No hospital, funcionários informaram à polícia que Michel apresentava aproximadamente 54 lesões aparentemente provocadas por faca, sendo 39 delas localizadas na parte posterior do corpo, principalmente na região do pescoço e das costas.
A polícia apreendeu a faca encontrada nas proximidades da vítima e o celular de Michel. Posteriormente, o aparelho de Natália também foi recolhido para análise.
Apesar de a academia possuir câmeras de segurança, as imagens não foram suficientes para esclarecer o que aconteceu no estacionamento.
Segundo o boletim, a ocorrência aconteceu atrás de um veículo estacionado próximo ao casal, o que impediu que os equipamentos registrassem diretamente a agressão.
Os policiais também não encontraram, naquele momento, testemunhas que pudessem esclarecer a sequência dos acontecimentos.
A delegada Marcela Elias considerou que, diante da quantidade e da localização dos ferimentos, não seria possível reconhecer naquele momento a hipótese de legítima defesa.
“Não há, igualmente, elementos que autorizem o reconhecimento, neste momento, da excludente por legítima defesa, especialmente diante da quantidade e localização dos ferimentos na região posterior do pescoço e nas costas da vítima, sem prejuízo de ulterior reavaliação à luz da prova produzida.”
A autoridade policial considerou que havia elementos suficientes para caracterizar o flagrante e encaminhou Natália para as providências judiciais.
A avaliação sobre eventual legítima defesa, entretanto, poderá ser revista conforme novas provas sejam produzidas durante o processo.
Cerca de três semanas antes da morte, Natália havia registrado um boletim de ocorrência contra Michel.
No dia 16 de agosto, a professora também solicitou medidas protetivas de urgência. Cinco dias depois, em 21 de agosto, ela pediu a retirada da solicitação.
O conteúdo do registro feito naquele momento não consta no boletim de ocorrência referente à morte do empresário. Por isso, ainda não é possível estabelecer, apenas com as informações disponíveis, qual era a natureza do conflito que levou ao pedido ou se havia relação direta com o episódio ocorrido posteriormente.
De acordo com o UOL, a existência do pedido anterior deverá ser considerada pela Polícia Civil na reconstrução do histórico do relacionamento.
Michel era empresário e, segundo informações divulgadas em suas redes sociais, era proprietário de uma cachaçaria em Santa Bárbara d'Oeste, também no interior paulista.
O velório e o enterro ocorreram em Americana.
Natália foi inicialmente presa em flagrante pelo crime de homicídio. Em decisão posterior, o juiz Wilson Henrique Santos Gomes determinou que ela deixasse a prisão e passasse a cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
A decisão estabeleceu uma série de medidas cautelares. Entre elas estão a obrigação de permanecer em casa, salvo em situações de emergência médica, e o comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades.
A professora também está proibida de manter contato com testemunhas do processo.
Além disso, a Justiça determinou que Natália não deixe o Brasil e ordenou a retenção de seu passaporte.
Caso descumpra as medidas impostas, a prisão domiciliar poderá ser revogada e ela poderá ser encaminhada para uma unidade prisional em regime fechado.
O caso foi registrado como homicídio no 3º Distrito Policial de Americana. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que as diligências continuam para esclarecer as circunstâncias da morte.
A investigação deverá analisar os exames periciais, os celulares apreendidos, os registros disponíveis das câmeras de segurança, os depoimentos e o histórico do relacionamento entre Natália e Michel.
A defesa da professora foi procurada, mas não comentou sobre o caso.
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