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Novas imagens mostram PMs absolvidos em Júri matando jovem rendido em Paraisópolis; veja

Imagem Novas imagens mostram PMs absolvidos em Júri matando jovem rendido em Paraisópolis; veja
PMs envolvidos na ação foram absolvidos pelo Tribunal do Júri no último dia 30  |   BNews SP - Divulgação
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 07/08/2026, às 14h31



Os policiais militares envolvidos na morte Igor Oliveira de Moraes Santos, que aconteceu no dia 10 de julho de 2025 durante uma operação em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, foram vistos atirando no jovem em vídeos obtidos pelo G1.

As imagens, conforme o G1, mostram os policiais momentos antes de entrarem na residência e as conversas entre eles após efetuarem os disparos. De acordo com a PM, os policiais não sabiam que as câmeras estavam ligadas.

Nas gravações é possível ver Igor rendido, com as duas mãos visíveis, sem apresentar resistência ou fazer movimentos bruscos antes de ser atingido. Em seguida, mesmo estando apenas entre colegas, os policiais passam a sussurrar em ao menos três momentos. Os soldados Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, autores dos disparos, foram absolvidos pelo Tribunal do Júri no último dia 30.

Os soldados Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus também respondem pelo caso, mas na condição de colaboradores dos executores. O julgamento deles ainda não tem data definida. Os advogados que representam a família de Igor recorreram da sentença, sustentando que a decisão contraria as provas produzidas no processo.

As imagens mostram que o jovem estava com as duas mãos à mostra, obedecendo às ordens dadas pelos agentes. Segundo as gravações, ele não reage nem faz movimentos bruscos antes dos disparos. Um outro ângulo registrado pelas câmeras corporais reforça essa dinâmica: é possível ver com mais nitidez que Igor é atingido duas vezes mesmo mantendo as mãos visíveis.

Segundo a Polícia Militar, os agentes não sabiam que as câmeras estavam gravando naquele momento. A informação foi confirmada pelo coronel Emerson Massera, chefe da comunicação da PM, que afirmou que a ação dos policiais foi ilegal. "A ação começou completamente legítima. (...) Num determinado momento, esse homem já estava rendido quando os policiais efetivaram os disparos, sem nada que os justificasse", declarou.


Segundo o coronel Massera, uma das câmeras foi ativada por um dos policiais as demais passaram a gravar por meio de conexão via bluetooth. O sistema funciona para todos os equipamentos que estejam em um raio de até 20 metros.

Em nota, Gabriela Amoras Silva, Jonatha Carvalho Matos e Wilson Zaska, advogados que atuam como assistentes de acusação e representantes dos familiares de Igor Moraes de Oliveira, afirmaram respeitar a soberania das decisões do Tribunal do Júri, mas entendem que a absolvição foi "manifestamente contrária às provas produzidas nos autos".

"Durante a instrução processual e o julgamento, foram apresentadas provas que demonstram que Igor foi morto quando já estava rendido, impondo a responsabilização dos acusados. Diante disso, serão adotadas todas as medidas legais cabíveis para submeter a decisão ao reexame do Tribunal de Justiça", afirmaram.

O MP-SP disse em nota que respeita a decisão dos jurados, mas interpôs recurso de apelação ao final do julgamento, considerando a decisão manifestamente contraria à prova dos autos.

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