Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 08/06/2026, às 14h26
Operações recentes realizadas pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém resultaram na prisão de três mulheres que ocupavam cargos de liderança no Primeiro Comando da Capital (PCC) na Baixada Santista, no litoral de São Paulo.
De acordo com as investigações policiais, elas exerciam funções de comando e articulação que uniam núcleos municipais, estaduais e internacionais.
Além disso, elas gerenciavam a logística do tráfico de entorpecentes e atuavam diretamente no tribunal do crime.
Para o delegado Bruno Lázaro Mateo, responsável pelas operações, a presença feminina em postos de liderança e na função de "disciplinas" está associada a fatores estratégicos dentro da organização.
No tocante às mulheres ocuparem esses setores de destaque, como disciplinas, surge basicamente pela confiabilidade maior do que os homens, além do crime organizado se valer delas [mulheres] por passarem supostamente desapercebidas”, declarou o delegado.
Entre as detidas está Lígia Sanches Moro, conhecida pelo codinome Malévola.
Segundo o Metrópoles, ela atuava na comunicação central entre diferentes municípios do litoral sul e do Vale do Ribeira, responsável pela contabilidade, recebimento e distribuição de entorpecentes para os pontos de venda locais junto com seu filho, que também foi detido.
Outro alvo das ações policiais foi Ariane de Pontes Rolim, apelidada de Penélope.
Com a sua captura, a polícia civil detalhou o funcionamento do tribunal do crime gerido pela facção.
Mensagens de WhatsApp demonstraram que conflitos locais eram registrados em relatórios padronizados semelhantes a boletins de ocorrência oficiais.
Os arquivos detalhavam as partes envolvidas, os motivos da disputa e as "penas" determinadas pelo comitê, que variavam desde orientações verbais e acordos mútuos até punições físicas.
A terceira liderança identificada foi Talita da Silva Costa, conhecida como Medusa, detida na cidade de Mongaguá.
Ela exercia o papel de fiscalização e aplicação de regras internas no município de Peruíbe, com autonomia para dar a palavra final sobre o comércio ilícito local e punições na região.
As investigações apontaram que ela respondia diretamente a instâncias superiores da organização.
Análises de arquivos indicaram que os integrantes do grupo manifestavam preocupação contínua com o monitoramento policial.
Em registros de comunicações, os membros da organização recomendavam o uso de modelos específicos de aparelhos celulares e sistemas de criptografia, com o objetivo de dificultar o rastreamento e a identificação de suas lideranças.
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