Polícia
A rotina de quem utiliza o transporte público na capital paulista tem sido marcada por um problema recorrente.
Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que, entre janeiro e novembro do ano passado, São Paulo registrou uma média de 46 celulares furtados ou roubados por dia dentro de ônibus, trens, metrôs, rodoviárias e aeroportos. O número evidencia um desafio constante para usuários e autoridades, conta o G1.
Ao longo dos onze meses analisados, foram contabilizados mais de 15 mil registros envolvendo celulares. A maior parte dos casos ocorreu em trens e no metrô, que concentram diariamente milhões de passageiros. A alta circulação de pessoas cria um ambiente propício para a ação de criminosos, especialmente nos horários de pico.
Do total, 14.609 ocorrências aconteceram em trens e estações de metrô. Os ônibus somaram 759 registros, enquanto rodoviárias tiveram 128 casos. Já os aeroportos aparecem com número bem menor, com apenas 15 ocorrências registradas no período.
A análise do tipo de crime revela que a maioria esmagadora foi classificada como furto. Foram 13.905 casos, o equivalente a 89% do total. Já os roubos, que envolvem ameaça ou violência, somaram 1.614 ocorrências, representando 11%.
Em muitos furtos, a vítima só percebe a perda minutos depois, o que dificulta a identificação imediata do autor.
As estatísticas também apontam que algumas regiões concentram mais registros do que outras. A estação da Luz lidera a lista, com 2.134 casos.
Em seguida aparecem Barra Funda, com 1.143 ocorrências, e o eixo que envolve estações da Avenida Paulista, Rua da Consolação e arredores, com 806 registros.
Outros pontos críticos incluem a Avenida Cruzeiro do Sul e seu entorno, com 725 casos, além das estações Pinheiros, Tatuapé e República, todas com números expressivos. As áreas mais movimentadas acabam se tornando alvos frequentes, justamente pela aglomeração constante de passageiros.
Esses crimes no transporte coletivo correspondem a cerca de 10% de todos os furtos e roubos de celulares registrados na cidade. O agente de viagens Gabriel Ferraz está entre as vítimas. Ele relata que, durante o horário de pico da manhã, colocou o celular no bolso e, em meio à multidão ao entrar no trem, percebeu que o aparelho havia desaparecido.
O Metrô informou que, em aproximadamente 80% das ocorrências, os suspeitos são detidos e encaminhados às delegacias. A companhia destacou que conta com mais de 900 agentes de segurança e cerca de 5 mil câmeras com recursos de inteligência artificial. Segundo o órgão, houve queda nos registros de furtos e roubos entre 2024 e 2025 nas quatro linhas sob sua gestão.
A CPTM afirmou que mantém patrulhamento preventivo e ostensivo nos trens e estações, além de operar quase oito mil câmeras distribuídas entre plataformas, pátios e vagões. O monitoramento constante é apontado como ferramenta essencial para coibir crimes.
Já a Secretaria da Segurança Pública ressaltou que, no estado, os roubos e furtos de celulares caíram 17%, enquanto na capital a redução foi de 14% no mesmo período analisado. Desde 2023, mais de 80 mil aparelhos foram recuperados, com a prisão de cerca de 1.200 envolvidos nesses crimes.
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