Polícia

Pai que chamou a PM por desenho de Orixá é indiciado por intolerância religiosa

Foto: Reprodução/Google Street View.
Caso ocorreu em uma EMEI na Zona Oeste de São Paulo; denúncia levou 12 policiais armados à escola e agora é investigada como intolerância religiosa  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Google Street View.
Bianca Novais

por Bianca Novais

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Publicado em 05/03/2026, às 17h08



A Polícia Civil indiciou por intolerância religiosa o pai de uma aluna que acionou a Polícia Militar após a filha produzir um desenho relacionado à orixá Iansã em uma escola municipal infantil na Zona Oeste de São Paulo. O caso aconteceu em 11 de novembro de 2025. As informações são do g1.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o inquérito conduzido pelo 34º Distrito Policial, na Vila Sônia, foi concluído em fevereiro e encaminhado à Justiça. 

Presença policial na escola

Na ocasião, 12 policiais militares armados entraram na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento após a denúncia do pai, que também é soldado da Polícia Militar. Segundo ele, a escola estaria obrigando a criança a participar de “aula de religião africana”.

Imagens e relatos indicam que os agentes circularam pelo espaço escolar, e um deles portava uma metralhadora.

Iansã é uma divindade de religiões afrobrasileiras, como o Candomblé e a Umbanda, conhecida como a orixá associada aos ventos, raios e tempestades.

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Clima de medo e constrangimento

Uma funcionária da escola, que preferiu não se identificar, relatou que a presença dos policiais provocou medo entre trabalhadores da unidade e familiares de alunos. Segundo ela, foi abordada e questionada pelos agentes por cerca de 20 minutos.

Durante a conversa, a profissional explicou que a escola segue o currículo antirracista da rede municipal, de acordo com a Lei Federal 11.645/2008, que tornou obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nos níveis fundamental e médio, em instituições públicas e privadas.

Reação da comunidade

Moradores e representantes de entidades locais reagiram ao episódio. A jornalista Ana Aragão, integrante da Rede Butantã, grupo que reúne organizações da região, afirmou que o caso gerou indignação na comunidade.

Segundo ela, o pai da estudante chegou a rasgar desenhos feitos por alunos que estavam expostos no mural da escola.

Após o ocorrido, moradores organizaram um abaixo-assinado em defesa da EMEI Antônio Bento e de seus profissionais. No documento, a comunidade manifesta apoio ao corpo docente e afirma que a escola cumpre seu papel ao promover diversidade cultural e formação cidadã.

O texto também repudia qualquer forma de intolerância religiosa, racismo ou discriminação e defende o direito das crianças a uma educação plural e inclusiva.

Ação dos policiais ainda é apurada

Enquanto o inquérito contra o pai foi finalizado, a atuação dos policiais que participaram da ocorrência continua sendo investigada em um Inquérito Policial Militar.

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