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PCC teria citado entidade de crianças atípicas em esquema em SP

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Conversa interceptada pela polícia menciona possível uso de entidade de crianças atípicas em esquema investigado no transporte público  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 17/09/2026, às 19h27



Uma conversa interceptada pela Polícia Civil trouxe uma nova frente para a investigação sobre a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em contratos e empresas de transporte público de São Paulo.

No diálogo, José Daniel Satilite, conhecido como Alemão do PCC, teria mencionado a possibilidade de usar uma entidade voltada ao atendimento de crianças atípicas em um esquema semelhante ao investigado no setor de transporte.

Alemão é apontado pela investigação como um dos elos entre o PCC e políticos da capital, da Baixada Santista e do interior paulista. Ele também é citado como conselheiro da Associação das Crianças Excepcionais de Nova Iguaçu (Aceni).

Segundo os investigadores, a conversa foi identificada durante a Operação Vectura Corrupta, realizada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Investigação cita área da saúde

Os relatórios policiais apontam que a atuação investigada não ficaria restrita ao transporte público. A apuração também encontrou referências à área da saúde, além de empresas, contratos públicos e articulações políticas.

De acordo com a investigação, a associação teria sido mencionada como possível modelo para reproduzir ou esconder operações semelhantes às que estão sob apuração no transporte público.

A polícia investiga ainda o uso de laranjas ou testas de ferro e a participação de empresas que teriam ligação com o grupo criminoso.

A Operação Vectura Corrupta investiga suspeitas de infiltração do PCC em empresas de transporte da capital e de municípios do litoral e do interior de São Paulo.

Milton Leite é alvo da operação

A Justiça determinou a prisão de 16 pessoas e autorizou 18 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o ex-vereador e presidente do União Brasil, Milton Leite, o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário de Mobilidade e Trânsito da gestão Ricardo Nunes (MDB).

Nove pessoas haviam sido presas temporariamente até a divulgação do balanço inicial da operação. Entre elas estão Morgado e Oliveira.

Milton Leite não foi localizado. Ao Metrópoles, ele afirmou que estava em viagem de campanha com um dos filhos e negou qualquer relação com o PCC. O ex-vereador disse que pretende se apresentar às autoridades.

A Prefeitura de São Paulo afirmou que as intervenções realizadas na Transwolff e na UPBus, em 2024, tiveram como objetivo proteger o sistema municipal de transporte. A administração também informou que abriu processos na Controladoria Geral do Município e que colabora com as investigações.

A Câmara Municipal de São Paulo informou que acompanha o caso e aguarda as conclusões da Polícia Civil e do Ministério Público.

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