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PF detalha gastos de Vorcaro e aponta despesas mensais de até R$ 84,6 milhões

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Relatório da PF detalha planilhas com despesas de Daniel Vorcaro em 2025, incluindo aeronaves, imóveis, arte e honorários  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação
Marcela Guimarães

por Marcela Guimarães

Publicado em 11/09/2026, às 09h31



Documentos obtidos pela Polícia Federal mostram que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro chegou a registrar despesas de R$ 84,6 milhões em um único mês de 2025.

As informações constam em um relatório da corporação que teve parte do conteúdo tornado público na última quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os dados aparecem em planilhas intituladas “despesas gerais”, encontradas em conversas entre Vorcaro e o cunhado, Fabiano Zettel. Os registros contam com diferentes tipos de gastos, incluindo gastos pessoais, imóveis, aeronaves, operações financeiras e repasses realizados ao longo do ano.

Gastos de Vorcaro

De acordo com a PF, as chamadas despesas gerais somavam aproximadamente R$ 6,5 milhões mensais. A relação inclui itens como IPTU, condomínios, contas de energia elétrica, honorários de advogados e pagamentos destinados a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário.

Segundo a investigação, estava previsto um repasse mensal de R$ 1 milhão a Sicário, que havia sido preso pela PF sob acusação de fazer parte de uma “milícia” supostamente contratada por Vorcaro para intimidar desafetos.

Ele morreu dois dias depois de uma tentativa de suicídio na prisão, em março. A PF afirma que o homem teria recebido R$ 24 milhões durante dois anos.

As planilhas também registram despesas consideradas variáveis. Em março, por exemplo, aparece um gasto de R$ 6 milhões relacionado a uma aeronave. Em junho, há um pagamento de R$ 7,3 milhões para uma galeria de arte e outro de R$ 4,9 milhões referente à aeronave PS-FSW.

O maior valor aparece em uma planilha que reúne pendências de junho e julho e despesas previstas para agosto. Nesse período, os gastos chegam a R$ 84,6 milhões.

Entre os lançamentos estão R$ 6 milhões destinados à reforma de um apartamento e R$ 2 milhões pagos à Igreja Lagoinha Belvedere, onde Zettel atuava como pastor.

Investigação envolve crise no STF

A divulgação dos documentos ocorre em meio ao aumento da tensão no Supremo Tribunal Federal em torno das investigações relacionadas ao Banco Master.

Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de parte da investigação em que aparece o nome do ministro Alexandre de Moraes. O relatório da PF revelou uma suposta troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro.

Dois dias depois, Moraes encaminhou a Edson Fachin, no âmbito do inquérito das fake news, um pedido para investigar a atuação de Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. As acusações ainda não foram julgadas.

No dia 4, Fachin rejeitou o pedido e encaminhou o procedimento à Presidência do STF, dando cinco dias úteis para manifestações de Mendonça e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A crise se agravou em 8 de setembro, quando Mendonça afastou preventivamente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A decisão apontou suspeitas relacionadas à produção de relatórios da Polícia Federal sobre a atuação do ministro.

A medida provocou reação da Advocacia-Geral da União (AGU) e levou 11 diretores da PF a colocarem os cargos à disposição em apoio aos dois delegados.

Na terça-feira (9), o ministro Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos e apontou “atropelos processuais” na decisão de Mendonça.

Horas depois, Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e Dino e manteve, na prática, os dois delegados na Polícia Federal enquanto analisa o impasse.

No mesmo contexto, o presidente do STF centralizou procedimentos envolvendo ministros da Corte e marcou uma sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro.

Já na quinta-feira (10), Fachin pediu a retirada do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master e determinou que Mendonça entregasse um HD com as informações à Presidência do STF e aos demais ministros.

Mendonça atendeu à solicitação e retirou o sigilo da investigação. Como relator do caso, o ministro é responsável por decidir sobre a manutenção ou retirada do sigilo do processo.

*Com informações do portal Metrópoles

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