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Polícia mira esquema ligado ao Comando Vermelho que movimentou R$ 116 milhões em quatro estados

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Investigação identificou empresas de fachada e contas de laranjas usadas para ocultar recursos ilícitos em esquema vindo do Comando Vermelho  |   BNews SP - Divulgação Foto: Juliano Almeida
Redação BNews São Paulo

por Redação BNews São Paulo

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Publicado em 02/06/2026, às 10h55



Policiais civis deflagraram nesta terça-feira (2) a Operação Riqueza Sombria, que tem como alvo uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas da facção Comando Vermelho.

As investigações apontam movimentações financeiras superiores a R$ 116 milhões.

Mandados são cumpridos em quatro estados

A operação acontece simultaneamente no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

No Rio, os agentes atuam em Cabo Frio e no bairro do Jacaré, na Zona Norte da capital fluminense.

Já em Mato Grosso do Sul, as diligências ocorrem em Campo Grande, Dourados e Sete Quedas. Em São Paulo, os mandados são cumpridos em Ribeirão Preto e Orlândia. Em Minas Gerais, a ação ocorre em Formiga.

Até o momento, dois suspeitos foram presos. Também foram apreendidos uma arma, celulares e equipamentos eletrônicos.

Investigação começou após operação em comunidade do Rio

As apurações tiveram início a partir de uma operação realizada em julho de 2020 na Comunidade do Tatão, em Anchieta, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Na ocasião, policiais apreenderam drogas, rádios comunicadores, um simulacro de arma de fogo e diversos comprovantes bancários, que serviram de base para o avanço das investigações.

A análise dos documentos revelou um padrão de depósitos realizados em agências próximas a áreas dominadas pelo Comando Vermelho, principalmente na região do Complexo do Chapadão.

Segundo a Polícia Civil, os investigados utilizavam a técnica conhecida como “smurfing”, que consiste em realizar depósitos fracionados para dificultar a identificação das movimentações pelos sistemas de monitoramento financeiro.

Grupo movimentou mais de R$ 116 milhões

De acordo com as investigações, o dinheiro arrecadado com a venda de drogas era pulverizado em dezenas de depósitos em espécie e transferido para contas de pessoas físicas e empresas de fachada utilizadas como laranjas.

Na sequência, os recursos eram redistribuídos e reinseridos no sistema financeiro formal, dificultando o rastreamento da origem dos valores.

Relatórios de Inteligência Financeira apontaram que os principais beneficiários dos recursos estavam concentrados em Sete Quedas, município de Mato Grosso do Sul localizado na fronteira com o Paraguai e considerado estratégico para rotas internacionais do tráfico de drogas e armas.

Suspeitos apresentavam renda incompatível

Os investigadores identificaram que diversos alvos declaravam baixa renda, mas movimentavam valores incompatíveis com a realidade.

Entre 2017 e 2021, o grupo teria movimentado mais de R$ 116,6 milhões. Em um dos casos analisados, um investigado recebeu 54 depósitos em espécie, que somaram quase R$ 68 mil ao longo de quatro anos.

Segundo a Polícia Civil, a Operação Riqueza Sombria busca identificar todos os integrantes do esquema, aprofundar a análise patrimonial dos investigados e responsabilizar criminalmente os envolvidos.

A ação conta com apoio da Core, das Polícias Civis de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, além dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Rio de Janeiro e de Mato Grosso do Sul.

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