Polícia

Suspeitos de ligação com PCC são presos em SP por plano contra autoridades

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Suspeitos de integrar rede do PCC são presos por suposto envolvimento em ataques contra autoridades de São Paulo  |   BNews SP - Divulgação Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 15/08/2026, às 16h03



Dois homens denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suposta ligação com uma estrutura de inteligência do Primeiro Comando da Capital (PCC) foram presos nesta sexta-feira (15), em Presidente Prudente, no interior do Estado. Segundo a investigação, o grupo teria realizado o monitoramento de autoridades e planejado ataques contra agentes públicos.

Os presos são Victor Hugo da Silva, conhecido como “VH”, e Adilson Audinir Oliveira Junior, chamado de “Ju Machado”. Os dois já haviam sido denunciados pelo MPSP no fim de julho por suspeita de integrar a organização criminosa.

A investigação aponta que a estrutura teria como alvos o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e Roberto Medina, coordenador de presídios da região Oeste de São Paulo.

Investigação aponta monitoramento de autoridades

Foto: Reprodução/oestecidade
Foto: Reprodução/oestecidade

Segundo a denúncia, o grupo teria atuado na estrutura do PCC desde pelo menos junho de 2025. Os integrantes teriam funções diferentes dentro do esquema, incluindo levantamento de informações, monitoramento de rotinas e logística.

Victor Hugo é apontado como responsável por atividades de campo. De acordo com o Ministério Público, ele teria filmado trajetos e residências, além de registrado placas de veículos ligados aos alvos.

Já Adilson teria atuado como interlocutor e colaborador de Sérgio Garcia da Silva, conhecido como “Messi”, outro dos denunciados. A investigação também atribui a ele participação na ocultação ou destruição de vestígios digitais.

Além dos dois presos, também foram denunciados Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o “Corinthinha”, e Sérgio Garcia da Silva, conhecido como “Messi”.

O Ministério Público afirma ter encontrado vídeos, áudios e outros registros nos celulares dos investigados que indicariam o acompanhamento da rotina dos agentes públicos.

Plano contra Lincoln Gakiya

Lincoln Gakiya é apontado pelas investigações como um dos principais alvos do PCC. Em 2025, o promotor afirmou que drones chegaram a ser utilizados para monitorar a residência onde mora em Presidente Prudente.

Segundo a denúncia, integrantes do grupo tinham informações sobre os deslocamentos de Gakiya, incluindo trajetos para o trabalho e para a academia. A investigação também identificou um imóvel localizado a cerca de 900 metros da residência do promotor.

O caso faz parte de uma investigação mais ampla sobre planos de ataques contra autoridades em São Paulo. Em outubro de 2025, uma operação do MPSP e da Polícia Civil cumpriu 25 mandados de busca e apreensão relacionados ao esquema.

As apurações indicaram a existência de uma estrutura organizada para levantar informações sobre autoridades e familiares antes de possíveis atentados.

Divisão de tarefas

De acordo com o Ministério Público, a estrutura investigada funcionava com uma divisão de tarefas. Cada integrante teria uma função específica, sem necessariamente ter conhecimento de todas as etapas do plano.

A denúncia aponta que Sérgio Garcia seria responsável por levantamentos em Presidente Prudente, incluindo informações sobre a rotina de Gakiya. Ele também teria participado de negociações envolvendo armamentos.

Wellison Rodrigo, por sua vez, é apontado como coordenador e operador logístico. Segundo a acusação, ele receberia informações coletadas durante as atividades de vigilância e as encaminharia ao setor responsável pela execução da facção.

O Ministério Público afirma que o grupo não foi denunciado por ameaça, mas por suposta participação em organização criminosa armada. Segundo a acusação, não teria ocorrido comunicação direta de intimidação às vítimas.

Prisões ocorrem após denúncia

As prisões desta sexta-feira ocorrem após o MPSP apresentar a denúncia contra os quatro investigados. O caso envolve suspeitas de planejamento de ataques contra autoridades e de integração a uma estrutura organizada do PCC.

Em fevereiro deste ano, Victor Hugo já havia sido condenado pela Justiça de São Paulo por envolvimento no plano de execução de Lincoln Gakiya e Roberto Medina. Na ocasião, a Justiça manteve sua prisão preventiva.

A defesa dos citados não havia sido localizada até a publicação da informação. O espaço permanece aberto para manifestações.

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