Polícia
por Andrezza Souza
Publicado em 31/10/2026, às 07h56
O acidente com o voo 402 da TAM, que matou 99 pessoas em São Paulo, completa 30 anos neste sábado (31). A aeronave, um Fokker-100 que seguia de Congonhas para o Rio de Janeiro, caiu poucos segundos após deixar a pista do aeroporto, em 1996.
A decolagem ocorreu às 8h26. Depois de apenas 24 segundos no ar, o avião começou a perder o controle, atingiu prédios da região e caiu em uma área residencial. O impacto provocou um incêndio. Entre as vítimas, 95 estavam a bordo e quatro em solo.
Uma das vítimas era o médico cardiologista José Rahal Abu Assali, de 45 anos. Ele viajava para participar de um congresso no Rio de Janeiro, onde faria uma palestra. Abu deixou a esposa, Sandra Assali, e dois filhos, que tinham sete e quatro anos na época.
Sandra contou que levou o marido ao aeroporto e se despediu com um beijo, esperando reencontrá-lo ainda naquele dia. Cerca de 40 minutos depois, recebeu a notícia da queda.
A identificação do voo também provocou momentos de angústia entre familiares. Inicialmente, a TAM informou que o avião acidentado seguia para Brasília. A informação foi corrigida pouco depois, quando se confirmou que a aeronave era a que tinha como destino o Rio de Janeiro.
Seis meses após a tragédia, em maio de 1997, Sandra participou da fundação da Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa). Atualmente, ela preside a entidade, que oferece apoio a familiares, defende seus direitos e trabalha pela prevenção de novas ocorrências.
Em publicação nas redes sociais, Sandra relembrou a perda do marido e afirmou que transformou a experiência em mobilização por mudanças na segurança aérea.
A investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) identificou uma sequência de falhas mecânicas e elétricas no sistema de reverso de empuxo do motor direito. O relatório também apontou problemas de projeto, ausência de alertas claros na cabine e fatores operacionais.
Segundo a apuração, o reversor abriu sem comando durante a decolagem. Com isso, a aeronave perdeu o equilíbrio de tração e começou a pender para a direita.
Sem identificar a abertura do equipamento, os pilotos tentaram manter a potência de decolagem. As tentativas romperam o mecanismo de proteção do cabo de segurança, permitindo que o motor direito operasse em potência máxima com o reversor aberto.
O desequilíbrio na força dos motores e o arrasto aerodinâmico impediram a estabilização do avião. A investigação também apontou que a tripulação não havia recebido treinamento em simulador para lidar com a abertura acidental do reversor durante a decolagem.
O intervalo entre a saída da pista e o impacto, de apenas 24 segundos, reduziu o tempo disponível para identificar e reagir à falha.
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